Carbonatitos

Carbonatito

O carbonatito é uma rocha ígnea, intrusiva ou extrusiva, constituída por 50% ou mais de minerais carbonatados.

Na designação destas rochas, deve ser tido em conta o carbonato dominante presente. Este mineral deverá adjectivar o nome da rocha (e.g. carbonatito calcitico (ou sovito), dolomítico e anquerítico, etc, são preferíveis aos termos beforsito e rauhaugito, respectivamente).

As rochas essencialmente constituídas por carbonatos de sódio, potássio e cálcio, deverão ser designadas por natrocarbonatitos (actualmente esta rocha é apenas conhecida como produto extrusivo do vulcão Oldoinyo Lengai no Norte da Tanzânia).

No caso da identificação do(s) carbonato(s) não ser possível, e a análise química de rocha total estiver disponível, os carbonatitos deverão ser classificados com base no diagrama CMF  daqui resultando quatro categorias principais:

  1. Calciocarbonatitos – com mais de 80% de CaO (calcite). Como exemplo temos o caso do sovito/sövito.
  2. Magnesiocarbonatitos – com MgO (dolomite). Como exemplo temos o caso dos Beforsitos.
  3. Ferrocarbonatitos, os quais consistem em carbonatitos que têm na sua composição fases minerais ferríferos.
  4. Natrocarbonatitos (carbonatitos alcalinos) – constituídos essencialmente por carbonato rico em sódo e potássio como nas lavas encontradas vulcão Oldoinyo Lengai no Norte da Tanzânia.

 

Classificação dos carbonatitos

Imagem 1 – A classificação de carbonatitos deve seguir a sistemática de rochas ígneas proposta pela subcomissão da IUGS (União Internacional das Ciências Geológicas).

Magnesiocarbonatite_from_British_Columbia_in_Canada

Magnesiocarbonatito (British Columbia, Canadá). Fonte: http://www.wikiwand.com/de/Karbonatit

Magmas

Os carbonatitos são orginados de um tipo de magma realtivamente raro e composicionalmente singular. Estes magmas apresentam características geoquímicas e metalogenéticas que despertam interesse económico.

O seu potencial económico torna-os muito valiosos. Além de serem a principar fonte de REE´s (elementos das terras raras) ocorrem normalmente associados a mineralizações de fósforo, cobre, nióbio, titânio e outros As estruturas carbonatíticas representam a maior reserva de Nb (Brasil, Canadá, Zaire, Gabão) e ETR (China, EUA, Austrália, Brasil) do mundo, constituindo ainda uma fonte de importância assinalável para P (Rússia, Brasil, República da África do Sul, Finlândia), Cu (República da África do Sul, Brasil), Ti (Brasil), F (Brasil, Índia), Ba (Brasil), Fe (Noruega, Brasil), V (Bolívia), Sr (Namíbia), vermiculite (República da África do Sul, Brasil) e carbonatos para a indústria cimenteira e correctivos agrícolas.

A natureza dos magmas carbonatíticos e seus parentes tem permanecido um tanto vaga e nenhuma teoria unificada de petrogénese se tornou aceite na generalidade dos autores. A tendência tem sido equiparar tipos de rocha particulares a magmas particulares não havendo ainda uma ideia clara se os magmas carbonatiticos são de derivação primária ou secundária, ou se os processos do manto ou da crosta são dominantes.

A literatura sobre a génese dos magmas carbonatíticos considera essencialmente três hipóteses concorrentes:

  1. fraccionação a baixa pressão na crosta de um magma parental derivado do manto (normalmente “nefelinito carbonatado”);
  2. separação imiscível em níveis crustais pouco profundos do magma silicatado sub-saturado depois de diferenciação prolongada.
  3. melt com origem no manto parcialmente carbonatado e metassomatizado que produzirá magmas carbonatitos primários e magmas silicatados separados.

As rochas alcalino-carbonatíticas apresentam especifidades mineralógicas e geoquímicas que são, regra geral, distintas, traduzindo-se frequentemente por concentrações anómalas em Nb, ETR, Fe, Ti, Zr, apatite, fluorite, flogopite, vermiculite e barite, passíveis de exploração económica, como referido acima.

Muitos dos carbonatitos mundialmente estudados apresentam fortíssima fenitização, sendo o fruto de metassomatismo generalizado de rochas encaixantes. A  fenitização corresponde à modificação de uma rocha por metassomatose (substituição de um mineral por outro de composição diferente, o que acontece ao nível do metamorfismo) alcalina, associada a intrusões de carbonatitos.

Carbonatitos e Tectónica de Placas

Os carbonatitos ocorrem preferencialmente em ambientes geotectónicos como riftes intracontinentais, extensões continentais de falhas transformantes, hot spots, magmatismo ante-arco e ilhas oceânicas. Frequentemente os carbonatitos aparecem associados a rochas alcalinas como ijolitos, melteigitos, sienitos, piroxenitos nefelínicos, urtitos e rochas plutónicas ultra-alcalinas.

O continente africano é o mais afetado, não apenas em número mas em área total exposta de carbonatitos e rochas associadas. Das cerca de 450 ocorrências de carbonatitos conhecidas em todo o mundo, 40% estão localizadas em África. Dos cerca de 170 carbonatitos africanos, 70% estão concentrados no sul de África.

Mapa global

Distribuição mundial dos principais carbonatitos conhecidos atualmente.

 

Para saber mais : http://www.wikiwand.com/de/Karbonatit

Fontes

Matos Alves, C.A. (1966). Carbonatitos. O Maciço carbonatítico da Tchivira (Angola). Junta de Investigações do Ultramar, Lisboa, 27 pp.

Woolley, A. R. (2001). Alkaline Rocks and Carbonatites of the World., Part 3: Africa. The Geological Society, London.

Woolley, A.R., Kempe, D.R.C. (1989). Carbonatites: nomenclature, average chemical compositions, and element distribution. In: Carbonatites; genesis and evolution (Keith Bell ed.), Unwin Hyman, London: 1-14 pp.

Woolley, A.R. (1989). The spatial and temporal distribution of carbonatites. In: Carbonatites , Genesis and Evolution (Bell, K. Ed.), Unwin Hyman Ltd, London: 15 – 34 pp.

http://www.wikiwand.com/de/Karbonatit

 

 

 

 

 

 

 

 

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