Castelo de Beja (Castelos de informação geológica em viagem I)

(Castelos de informação geológica em viagem I)

No reino dos Gabros

O álbum de fotos pode ser consultado em (clique na imagem)

Complexo Ígneo de Beja

Gabro

A designação de gabro foi proposta em 1768, e deriva do termo latino gaber que significa macio.
Os gabros são rochas plutónicas, melanocratas, de textura grosseira, composição básica, constituídas essencialmente por plagioclase cálcica – da labradorite à anortite, e piroxena – augite e/ou hiperstena. Podem ainda conter olivina, horneblenda, biotite e quartzo em pequena percentagem e como minerais acessórios podem apresentar apatite, granada, magnetite e ilmenite. Como modo de ocorrência podem constituir grandes lopólitos ou estruturas em anel (ring dykes) como acontece na serra de Sintra (Mafra) e em Sines.

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Imagem 1 – Castelo de Beja, edificado com rochas do Complexo Ígneo de Beja (CIB) e do Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches (COBA). O CIB é essencialmente formado por rochas gabro/dioríticas.

De  entre os vários tipos de gabros, que se caracterizam por diferentes composições mineralógicas, salientam-se as terminologias associadas ao Complexo Ígeno de Beja, tais como gabro olivínico, gabro piroxénico ou gabro horneblêndico – Imagem 2.

Classificação de Gabros

Imagem 2 – Classificação das rochas “gabróicas”.

Legenda: Plagioclase (Pl); Piroxena (Px) Olivina (Ol);  Ortopiroxena (Opx) ;Clinopiroxena (Cpx);  Horneblenda (Hlb), (Streckeisen, 1976).

Gabróico é assim entendido como uma rocha intrusiva de granulometria grosseira e de afinidade com o gabro. Inserem-se neste grupo os noritos, gabronoritos, troctólitos e anortositos (Gill, 2010).

Referência também importante é o termo gabrodiorito, que ilustra o facto de coexistirem na mesma área estes dois tipos litológicos, devido a variações a nível da composição, sendo que nuns locais a rocha se revela como um diorito e noutros como um gabro.

Os dioritos são rochas intermédias, granulares, melanocratas a mesocratas, e essencialmente constituídas por plagioclase sódico-cálcica, normalmente andesina, mas também podendo ser oligoclase, e um ou mais tipos de minerais ferromagnesianos geralmente horneblenda, mas também augite e/ou biotite. O quartzo pode estar presente até cerca de 10% e o feldspato alcalino, albite, ortóclase ou microclina, até cerca de 30% da totalidade dos feldspatos. São comuns em zonas marginais associadas a gabros, rochas como granodioritos e, mais raramente, sienitos.

Enquadramento Geológico

Os gabros observados no Castelo de Beja tivera origem em afloramentos que  localizam-se no interior da peneplanície alentejana e pertencem à unidade geológica do Complexo Ígneo de Beja (CIB), incorporada na divisão morfoestrutural do Maciço Ibérico designada de Zona de Ossa – Morena (ZOM).

Complexo Ígneo de Beja (CIB)

O CIB é uma estrutura alongada com cerca de 100 km de comprimento que na região é limitada a norte pela falha de Beja (WNW-ESE) e a sul pelo carreamento de Ferreira-Ficalho.

É dividido em três unidades: a Sequência Gabróica Bandada (SGB), o Complexo de Cuba – Alvito e o Complexo dos Pórfiros de Baleizão (Imagem 3).

Enquadramento geológico do CIB

Imagem 3 – A CIB é uma estrutura alongada, constituída por rochas intrusivas, com aproximadamente 100 km de extensão, prolongando-se desde Vendas Novas, a poente, até Serpa, a nascente. Integra uma associação de rochas variadas, sendo composto por maciços gabróicos, gabrodioríticos e granodioríticos.

A SGB, datada de 340 Ma (Carbónico), é constituída por uma grande diversidade de rochas gabróicas bordejadas por dioritos heterogéneos e pode ser dividida em dois compartimentos separados pela falha de Odemira – Ávila (vulgo Falha da Messejana). Geologicamente, o compartimento oriental é caracterizado pela heterogeneidade das litologias gabróicas: gabros olivínico-piroxénicos, de textura maciça ou apresentando bandado magmático (layering), e anortositos e gabros anfibólicos.

O CIB aflora numa larga mancha com direcção NW-SE e sublinha o contacto entre o Terreno Autóctone Ibérico/ZOM e o Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches (COBA) no território português. A separação do COBA do anteriormente designado Maciço de Beja foi baseada no facto do CIB não ter sido afectado pelo primeiro evento tectono-metamórfico varísco .

O CIB tem um comprimento de cerca de 100 km, com uma forma alongada e, ainda que localmente interrompido para SW, prolonga-se até à região espanhola de Castilblanco de los Arroyos.

Complexo Ofiolítico de Beja-Acebuches (COBA)

A zonalidade interna é bem vincada, com os diversos termos a inclinar para NE, traduzindo a inversão da sequência ofiolítica. No território português o COBA apresenta uma deformação acentuada sendo constituído por três termos litológicos evidentes e distintos:

  • Serpentinitos
  • Metagabros (flaser-gabros e metatrondjemitos)
  • Metavulcanitos básicos (metabasaltos)

Devido à ocorrência de subducção para norte, o CIB é intrusivo posteriormente à obducção, deformação, metamorfismo e instalação estrutural do ofiolito de Beja-Acebuches na sua posição actual tectonoestratigráfica, possuindo xenólitos de litótipos característicos do COBA. A sua datação isotópica forneceu um intervalo de idades entre os 337-340 Ma (Carbónico), o que implica uma idade ante-Viseana para o ofiolito de Beja – Acebuches.

FONTES UTILIZADAS:

http://www.aprh.pt/congressoagua98/files/com/164.pdf

http://www.lneg.pt/download/9732/17_2933_ART_CG14_ESPECIAL_III.pdf

https://run.unl.pt/handle/10362/10428

2 thoughts on “Castelo de Beja (Castelos de informação geológica em viagem I)

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    1. É verdade cefaria. Uma pausa de uns anos e o Blacksmoker regressou. Alguns colegas e leitores pediram-me uma vez que o Facebook apesar de muito útil não permite uma melhor exploração dos diversos temas que acho interessantes. Abraço

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