Brechas eruptivas em Sines

O que nos contam as rochas sobre o passado da Terra? 

O estudo das rochas permite não só fazer a datação de muitas formações, como também reconstituir os ambientes antigos ou paleoambientes em que a génese dessas rochas ocorreu.

A datação relativa corresponde à determinação da ordem cronológica de uma sequência de acontecimentos, ou seja, estabelece a ordem pela qual se encontram as formações geológicas se constituíram no lugar onde se encontram. Diferentes princípios estratigráficos podem ser utilizados para fazer a datação relativa das formações geológicas.

De acordo com o princípio da inclusão, fragmentos de rochas incorporados ou incluídos numa rocha são mais antigos do que a rocha que os engloba.

Um breve enquadramento geológico

Maciço Ígneo de Sines (MIS) corresponde a um conjunto de rochas intrusivas formadas a partir do arrefecimento e cristalização de um magma em profundidade.

Na verdade, uma das designações mais frequentes é a de Maciço intrusivo sub-vulcânico de Sines. O termo sub-vulcânico permite deduzir que as últimas fases de instalação do maciço ocorreram já num ambiente relativamente próximo da superfície. Atualmente, o MIS encontra-se diretamente acessível como resultado dos processos erosivos que têm estado activos durante os últimos 70 milhões de anos (Ma) a que corresponde a idade de instalação do maciço (Mesozóico).

O interesse geológico do MIS reside na grande diversidade de rochas e estruturas de natureza magmática e/ou tectónica que aí ocorrem. O Blacksmoker vai publicar um conjunto de posts sobre a diversidade de rochas e estruturas assim como do enquadramento geotectónico do MIS. 

As brechas eruptivas constituem uma variedade de rochas característica do MIS, em que fragmentos de várias rochas do MIS estão envolvidos por um “cimento” de composição igual à dos sienitos. Os fragmentos correspondem maioritariamente a gabros e sienitos, de contorno irregular e anguloso até fragmentos mais arredondados, indicando que estas rochas já estariam cristalizadas quando foram “partidas” e arrancadas por um novo tipo de magma – de composição sienítica – que os envolveu.

Os geólogos utilizam os diferentes princípios estratigráficos para estabelecerem a cronologia relativa de uma série de acontecimentos. As brechas eruptivas e o princípio da inclusão permitem reconstituir parte da história geológica que podemos observar no Maciço Ígneo de Sines.

Brechas eruptivas

Foto 1 – Brecha eruptiva

Brechas eruptivas

Foto 2 – Brecha eruptiva. A amarelo rocha sienítica correspondente ao magma sienítico que envolveu os fragmentos de gabros e outras rochas já existentes. A cronologia relativa não permite determinar a idade absoluta, ou seja, afirmar  quantos anos ou milhões de anos (no caso) tem determinada rocha.

 

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