Grés de Eirol

A Bacia Lusitaniana é uma bacia sedimentar que se desenvolveu na Margem Ocidental Ibérica durante parte do Mesozoico, e a sua dinâmica enquadra-se no contexto da fragmentação da Pangeia, mais especificamente da abertura do Atlântico Norte.

Caracteriza-se como uma bacia distensiva, pertencente a uma margem continental do tipo atlântico de rifte não vulcânica.

O mais antigo registo sedimentar corresponde ao início da diferenciação de uma bacia sedimentar, marcando uma primeira fase de rifting e antecendendo a posterior abertura do Atlântico, com início no Triássico superior. Dois afloramentos visitados na Bacia de Aveiro (Foto 1) permitem compreender este início da abertura na orla ocidental da Península Ibérica.

Carta geológica

Foto 1 – Carta geológica (resumo) da Bacia de Aveiro. De este para oeste estratos cada vez mais recentes. Os Grés de Eirol de idade triássica representados a roxo contactam discordantemente com rochas do Paleozoico (Cadeia Varisca).

A primeira fase distensiva, que se inicia no Triássico superior, precedendo o aparecimento do Atlântico central durante o Jurássico e a separação das placas americana e africana, provocou o aparecimento de fossas tectónicas. Estas depressões foram controladas por basculamento de blocos ao longo de falhas normais resultantes de um sistema de “gabrens” condicionou a sedimentação inicial com depósitos denominados por sedimentos clásticos aluviais, que interdigitam com depósitos margosos e evaporíticos (Foto 2).

Arenito de Eirol (Falha Normal Esquema)

Foto 2 – Falha normal a afetar os Grés de Eirol. A falha é posterior à diagénese destas rochas detríticas (Princípio da interseção)

Grés de Eirol

A natureza dos materiais terrígenos dos arenitos vermelhos do Reciano permite relacioná-los com o desmantelamento das rochas da Cadeia Varisca (Paleozoica).

Estas rochas designadas por “Grés de Eirol” apresentam uma profunda alteração ferralítica, indicando um ambiente continental, com um clima quente e húmido, evoluindo para semi-árido e com a deposição a ocorrer numa plataforma litoral. São as formações mais antigas e a sua deposição correu discordantemente sobre as formações do Paleozoico com as quais por vezes contactam por falha (Foto 3).

Arenito de Eirol (esquema)

Foto 3 – Contacto discordante das rochas do Paleozoico inferior com os Grés de Eirol de idade Mesozoica.

Nota: Na carta geológica de Aveiro (que à semelhança de tantas outras devia ser rectificada) que aponta para o contacto com o Triássico o CXG (legendada na figura como Paleozóico inferior), trata-se muito provavelmente da Unidade de Arada do Terreno Finisterra, portanto do Proterozóico.

Estes arenitos vermelhos do Triássico superior (Reciano) são micáceos, por vezes com gesso e hematite, muito compactos, com conglomerados poligénicos na base, a que se sobrepõem bancadas areníticas com calhaus mal rolados, tornando-se para o topo, mais finos, argilosos, por vezes com cores menos carregadas e com estratificação mais regular (Foto 4). Designados na região por Grés de Eirol correspondem aos “Grés de Silves” da Bacia Algarvia.

Arenito de Eirol-4

Foto 4 – Grés de Eirol com níveis conglomeráticos.

Sobre as rochas sedimentares detríticas

Neste tipo de rochas os sedimentos podem apresentar-se soltos, constituindo rochas não consolidadas, ou então estar ligados por um cimento (resultante da precipitação), formando rochas consolidadas.

Nas rochas sedimentares detríticas, os detritos ou clastos podem ou não estar ligados por um ciemento. Para além desta característica , este tipo de rochas é caracterizado pelo tamanho dos grãos, pela distribuição granulométrica dos clastos e pela forma dos clastos.

Como a granularidade dos materiais é variável e dada a importância das suas dimensões na caracterização destas rochas sedimentares, foi necessário estabelecer sistemas de classificação dos sedimentos detríticos de acordo com as dimensões que apresentam. O critério utilizado nestes sistemas de classificação é, desta forma, predominantemente textural, constituindo escalas granulométricas, das quais a mais utilizada é a de Wentworth.

A fácies de um estrato sedimentar é dada pelo conjunto de características litológicas desse estrato e pelo seu conteúdo em fósseis. A fácies dos estratos reflete o ambiente sedimentar que esteve presente aquando da sua formação. Os vários tipos de fácies que correspondem a diferentes ambientes de sedimentação podem ser continentais, de transição ou marinhos.

A fácies estratigráfica permite conhecer e interpretar os ambientes do passado, ou paleoambientes, por comparação com os ambientes atuais que dão origem a uma fácies semelhante.

O álbum de fotos do Grés de Eirol pode sem consultado em : https://flic.kr/s/aHsmdkqjew

Fonte consultadas: http://ria.ua.pt/handle/10773/4386

4 thoughts on “Grés de Eirol

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  1. Olá Nuno,
    muito obrigada pela informação disponibilizada. Sempre um incessante Geólogo!
    Só queria pedir um favor, não uses o amarelo (não tenho nada contra o amarelo!) porque custa a ler, Obrigada. Isabel Sousa

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