Zonas litorais e a ocupação antrópica

As zonas litorais constituem um valioso recurso natural, insubstituível e não renovável, do qual o Homem obtém alimentos e recursos minerais, para além de serem importantes locais de lazer e turismo.

No entanto, estas zonas não são estáticas, mas muito dinâmicas. O litoral evolui, algumas formas modifica-se, mudam de posição, e outras aparecem e desaparecem. A zona litoral é a zona de transição do continente para o oceano. Nesta transição, é possível distinguir formas de erosão e de deposição, como as arribas e as praias.

A erosão resulta a ação da dinâmica das águas do mar (ondas e correntes), sobre a linha de costa. A deposição resulta da acumulação, dos materiais erodidos pelos rios, quando as condições são mais apropriadas.

São múltiplos os fatores responsáveis pela erosão costeira.

Embora alguns desses fatores sejam naturais, maioria é consequência direta ou indireta das atividades antrópicas. Os principais fatores antrópicos responsáveis pela erosão costeira e consequente recuo da linha de costa são:

  • Ocupação da faixa litoral com construções.
  • Destruição de defesas naturais, como dunas e vegetação costeira.
  • Diminuição da quantidade de sedimentos, devido à construção de barragens e/ou exploração de areias (inertes) dos rios.
  • Obras de engenharia costeira, nomeadamente as que são implantadas para defender o litoral, como, por exemplo, os quebra-mares (Foto 1).

Quebra-mar 1

Foto 1 – Quebra-mar  (estruturas longitudinais destacadas, geralmente paralelas à linha de costa)). A eficácia das obras de engenharia costeira é muito discutível. Para além de serem muito dispendiosas, não resistem mais do que cinco anos sem necessitarem de reparação.

Mas há fenómenos naturais.

De entre os fenómenos naturais, aos quais o Homem é completamente alheio e que, de uma maneira geral, não pode contrariar, anular, ou modificar, destacam-se:

  • A alternância entre regressões e transgressões marinhas, como a descida e a subida do nível médio da água do mar, respetivamente;
  • A existência de correntes marinhas litorais variadas que, ao provocarem a erosão, o transporte e a deposição dos sedimentos, condicionam a morfologia da zona litoral;
  • A deformação das margens de continentes, em resultado de movimentos tectónicos que podem provocar a elevação ou o afundamento das zonas litorais.

Face aos graves problemas de erosão costeira a que certas regiões estão sujeitas, é necesário efetuar intervenções de modo a promover a proteção e defesa destas áreas. No geral há quatro formas básicas de solucionar a erosão costeira provocada pelos fatores acima referidos:

  1. Planos de ordenamento do litoral – estes planos têm como objetivos principais ordenar os diferentes usos e atividades específicas da orla costeira, classificar as praias e regulamentar o uso balnear, valorizar e qualificar praias consideradas estratégicas por motivos ambientais e turísticos, enquadrar o desenvolvimento das atividades específicas da orla costeira e, finalmente assegurar a defesa e conservação da Natureza.
  2. Adaptação – efetuar intervenções de proteção ligeira nos trechos da faixa litoral de maior importância e efetuar uma gestão costeira que tenha em atenção a elevação do nível do mar e o recuo da linha de costa. São exemplos de adaptações a estabilização de arribas e a reconstrução dunar e a alimentação artificial das praias com areia.
  3. Retirada estratégica – ou seja, desocupar a faixa costeira que previsivelmente virá a ser perturbada nas próximas décadas, transferindo para local seguro as construções mais importantes e destruindo as menos importantes. Do ponto de vista ambiental é, talvez, a solução mais correta, pois deixa a Natureza funcionar naturalmente.
  4. Proteção – ou seja, construir obras de engenharia costeira como paredões (ou enrocamentos, são estruturas longitudinais, desenvolvendo-se ao longo da praia), os esporões (são obras de proteção costeira perpendiculares à linha de costa) e quebra-mares (estruturas longitudinais destacadas, geralmente paralelas à linha de costa), que impeçam a destruição do património construído e/ou a invasão do litoral pelo mar.

No caso de um pequeno país, como Portugal (continental), com uma linha de costa de aproximadamente 900 Km, em que as principais cidades se localizam nas proximidades do mar e que, sazonalmente recebe milhares de turistas, imperativo proceder ao estudo da zona costeira e ao seu ordenamento. 

Um álbum fotográfico sobre este tema pode ser consultado neste link.

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