O nascimento do Atlântico Norte

A Bacia Lusitaniana, localizada na margem ocidental Ibérica e cuja formação se encontra associada à abertura do Atlântico Norte é uma bacia de rifte considerada como uma estrutura integrante de um conjunto de bacias.  É uma pequena bacia, sensivelmente alongada segundo o eixo norte-sul, Foto 1, limitada a oeste pelo horst varisco (granítico e metamórfico) da Berlenga, e a este pelo acidente tectónico Porto-Tomar. Esta bacia apresenta um enchimento sedimentar desde o Triásico até ao Cretácico.

Bacia Capa

Foto 1 –  A evolução tectónica da Bacia Lusitaniana está condicionada pela distensão mesozoica relacionada com a abertura do Atlântico Norte, na proximidade do Atlântico central, domínios oceânicos distintos separados pela Zona de Falha de Açores – Gibraltar (ZFAG). Esta constitui limite transformante entre placas que, numa fase inicial do ciclo alpino, ou seja da rotura da Pangeia, separou dois grandes continentes, a Laurásia a norte e a Gondwana a sul.

Na Bacia Lusitaniana a sedimentação triásica, constitui a base do seu enchimento.  O Jurássico Inferior apresenta uma sedimentação carbonatada característica de ambientes marinhos. Os afloramentos triásicos podem ser observados nos afloramentos de Eirol (Aveiro) e Praia do Telheiro (Vila do Bispo), por exemplo.

Jurássico Inferior

A base do Jurássico é marcada na Bacia Lusitaniana (tal como na Algarvia) por uma sedimentação siliciclástica de grão fino com algumas intercalações dolomíticas e evaporíticas (Formação de Dagorda). Esta formação, de idade mesozoica (Hetangiano) e depositada em ambiente lagunar controlado por condições áridas. Este registo é  sobreposto pelas formações que podem ser observadas na zona de São Pedro de Moel (Leiria), Foto 2.

Ocupação Antrópica 1 (São Pedro de Moel)-2

Foto 2 –  A região de São Pedro de Moel constitui um dos principais setores de estudo no que se refere ao Jurássico Inferior no contexto da Bacia Lusitaniana. Zona de elevada beleza paisagística, apresenta uma linha de costa com falésias ricas em rochas carbonatadas datadas do Sinemuriano ao Toarciano. Da base para o topo podemos encontrar afloramentos das Formações de Coimbra, Água de Madeiros e de Vale das Fontes. Formações importantes também devido ao seu potencial de geração de hidrocarbonetos.

Com exeção do Hetangiano (Formação de Dagorda), o Jurássico inferior mostra uma sedimentação carbonatada, onde se diferenciam as Formações de Coimbra, Água de Madeiros e Vale das Fontes.

A Formação de Coimbra compõe a base do enchimento da bacia, registando uma sedimentação preferencialmente calcodolomítica perdendo verticalmente (e lateralmente) a sua expressão dolomítica. A deposição processou-se num ambiente marinho restrito, tal como é evidenciado pela ocorrência de fácies dolomíticas microbianas. O desapareciemento desta fácies como o incremento de uma fauna de macroinvertebrados marinhos (essencialmente bivalves), resulta de um aumento gradual do nível do mar que tem a sua expressão mais margosa e mais rica em matéria orgânica e em amonóides. Nesta formação ocorrem na base, estromatólitos, Foto 3.

Estromatólitos 1

Foto 3 – Os estromatólitos são estruturas laminares resultantes da acção de cianobactérias, em mares quentes e pouco profundos. Os estromatólitos são, hoje, residuais no planeta.

Os estratos que constituem a Formação de Coimbra e que podem ser observados nas Praia Velha e da Concha (S. Pedro do Moel), indicam variações de paleoambientes entre o meio marinho pouco profundo, geramente restrito, chegando mesmo a solobro, e o meio marinho por vezes mais aberto.

A 4,5 km a sul de S.Pedro de Moel, entre a praia de Polveira e a Praia do Ouro é possível observar nas falésias o registo da evolução deste primeiro estádio da evolução da Bacia Lusitaniana com um aumento da profundidade deste Atlântico Norte jovem, Foto 4.

Pedra de Ouro (São Pedro de Moel)-9.jpg

Foto 4 – Praia do Ouro.  A série Sinemuriana da Bacia Lusitaniana corresponde a sedimentação de carácter gradualmente mais marinho, representando as unidade da região ocidental o pólo distal do sistema de rampa de baixa energia que caracterizou todo o Jurássico. Nesta zona da bacia e no Sinemuriano superior, a Formação de Coimbra, maioritariamente calcária, evolui de marinha confinada a marinha aberta, com registo do primeiros amonóides. Na Praia Pedra do Ouro, os afloramentos são da Formação de Vale das Fontes, do Pliensbaquiano.  Na Bacia Lusitaniana a Formação de vale das Fontes corresponde a um dos principais intervalos estratigráfics ricos em matéria orgânica como extensão bacinal e potencialmente geradores de petróleo.

A Formação de Água de Madeiros que se restringe apenas ao setor oeste da Bacia Lusitaniana, tem natureza marinha e é constituída por alternância de calcários e margas ricas em matéria orgânica, Foto 6.

Carvão (Jurássico - São Pedro de Moel)-3

Foto 6 –  Riqueza em matéria orgânica (a escuro) de alguns horizontes da Formação de Coimbra, associada à atividade microbiana, demonstra ligação destes ecossistemas e a produção de elevadas quantidades de matéria orgânica em sistemas deposicionais de fácies marinhas rasas.

Ao longo do Jurássico Inferior firmou-se o ambiente deposicional marinho com a abertura da rampa carbonatada ao meio marinho.  A partir do Jurássico Médio, sobretdo ao longo do Bajociano, o sistema deposicional acusou uma tendência regressiva relativa na bacia, sendo materializada por fácies de pequena/média profundidade. Para o final do Jurássico Médio estabeleceu-se uma tendência transgressiva cujas fácies coincidem com uma subida eustática do nível do mal no iníco do Caloviano. Ao longo do Caloviano estabeleceram-se condições regressivas que se estendera à base do Jurássico Superior e assinalam um hiato à escala da bacia. Corresponde a uma descontinuidade associada a uma lacuna estratigráfica que afeta o Caloviano terminal e o Oxfordiano inferior, com exposição da plataforma. Este evento marca o topo do 1º ciclo deposicional da bacia. No contexto tectono-sedimentar da Bacia Lusitaniana encontram-se definidos outros ciclos deposicionais entre o Jurássico Superior e o Cretácico.

Fontes :

Click to access 83_1753_ART_CG14_ESPECIAL_I.pdf

Click to access 6_ART_CG13_ESPECIAL_I_Editores_FINAL_corr3.pdf

Click to access 3_ART_CG13_ESPECIAL_I%20_Editores_FINAL_corr4_ult3.pdf

Click to access 7_ART_CG13_ESPECIAL_I_Editores_FINAL2_corr2.pdf

Click to access Disserta%C3%A7%C3%A3o_Mestrado_Nadi_Ribeiro.pdf

 

 

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