Cidades de informação geológica – Triásico (Alemanha)

No fim da Era Paleozoica (251 milhões de anos) os continentes ficaram reunidos numa só massa continental, a Pangea, com as consequentes modificações do clima, das correntes e dos ecossistemas marinhos. O nível do mar baixou e ocorreram episódios de vulcanismo gigantescos na China e na Sibéria. Aumentou o teor de dióxido de carbono na atmosfera e ocorreu a libertação de metano dos fundos marinhos. A conjugação destas alterações dos fatores abióticos da Terra terá desencadeado o efeito de estufa de grandes proporções com consequente aumento da temperatura. Este aumento da temperatura na água do mar foi responsável pela diminuição do teor de oxigénio na atmosfera e nos mares. Existem também suspeitas de um mega-impacte meteorítico que terá ocorrido na Antártica.

O Triásico é o primeiro período da Era Mesozoica. No começo desta Era inicia-se a fragmentação do supercontinente Pangea. Emerso fica sujeito à ação dos agentes de geodinâmica externa e assim submetido a uma forte erosão. Na periferia da Cadeia Varisca recém formada as fraturas herdadas das últimas fases de deformação, sujeitas a forças distensivas durante o Pérmico (último período do Paleozoico) formam-se bacias continentais nos blocos abatidos da crosta continental. Pequenas bacias assim formadas vão ser os locais onde os sedimentos resultantes do desmantelamento da cadeia varisca irão ser depositados no início do Triásico, Foto 1.  O clima árido e quente do início da Era Mesozoica, com chuvas esporádicas e torrenciais vão originar depósitos detríticos formados essencialmente por seixos e areias. As rochas sedimentares são assim geradas em ambientes muito próprios e conservam indicadores das condições desses ambientes. Caracteres texturais, mineralógicos, químicos, paleontológicos e estruturais permitem definir o ambiente de sedimentação e de formação das rochas. Estas características constituem a fácies da rocha.

101483144_0506862dd3

Foto 1 –  Localização da “Europa” durante o início do Mesozoico com a formação de bacias sedimentares com sedimentos detríticos (Clastic sediments). Os fenómenos extensivos associados à fraturação da Pangea terão levado a que os terrenos Variscos entrassem num processo de rifting. Este regime extensivo generalizado terá originado a formação de bacias de sedimentação onde se terão depositado espessas sequências de idade mesozóica. Os primeiras sequências constituem as designadas “Buntsanstein” que no território atual de Portugal podem ser observadas na região de Aveiro e na Costa Vicentina e Bacia Algarvia.

Estas rochas de idade triásica de características detríticas que ocorrem em todo o continente europeu foram inicialmente designadas de “Buntsandstein” (do alemão “arenitos coloridos”). É com esta designação que ficaram conhecidos no continente europeu as rochas sedimentares detríticas localizadas nas bordaduras do Orógeno Varisco, Foto 2.

Geologia (Heidelberg)-26

Foto 2 – Castelo da cidade alemã de Heidelberg.  A grande maioria dos monumentos da cidade fora edificados com o arenito vermelho do Triásico (Buntsandstein).

A formação deste tipo de sedimentos terrígenos  partir da erosão do relevo é um processo bastante rápido à escala geológica.  Após o encurtamento da cadeia de montanhas, a pressão litostática exercida sobre o manto subjacente aumenta, provocando o afundamento da sua raiz. Como consequência, a parte superior da montanha que, simultaneamente é sujeita à ação dos fatores externos (meteorização e erosão), sofre extensão induzindo estiramento e fraturação, formando falhas normais. Este colapso orogénico, que a cadeia de montanhas fica sujeita no final da orogénese  vai gerar sedimentos que são depositados nas bacias sedimentares do Triásico, Foto 3.

Imagem 1

Foto 3 –  Buntsandstein é um antigo termo alemão, equivalente ao Triásico inferior germânico, detrítico (terrígeno), de fácies continental. Castelo de Nuremberga (Alemanha) edificado com arenitos do Triásico apresenta na base um afloramento destas rochas constituindo um geossítio de referência para as rochas Buntsandstein na região alemã da Baviera.

Observando as sequências de estratos na base destas bacias  observamos a presença de conglomerados e arenitos com depósitos de argilito no topo, indicando assim uma diminuição da energia dos rios devido à diminuição do declive do relevo varisco sujeito a erosão. Nesta sequência de “Buntsanstein” há estratos de conglomerados sobre os estratos argilosos indicando um rejuvenescimento do relevo provocado por novos levantamentos isostáticos o que proporciona mais energia fluvial para erodir, transportar e sedimentar os balastros. Sobre estes novos estratos  de arenitos e argilitos são depositados quando a rede hidrográfica diminui o seu pendor e a capacidade de erosão e transporte diminui, foto 4.

Geologia (Heidelberg)-5

Foto 4  – Castelo de Heidelberg (Alemanha). Estratificação entrecruzada nos arenitos vermelhos (Buntsandstein). Esta estratificação (entrecruzada) é característica das rochas sedimentares detríticas médias (areias) e finas (pelitos), marcados pela existência de lâminas de deposição oblíquas ao plano de sedimentação principal, no geral e em princípio, horizontal. Tem grande importância na reconstituição de paleocorrentes.

 A história da Terra é marcada pelo desenvolvimento de diferentes ciclos de acreção-dispersão dos continentes que modelaram continuamente a superfície do planeta, envolvendo respetivamente movimentos convergentes e divergentes entre as placas litosféricas. Nos limites convergentes o processo de colisão é responsável pelo espessamento progressivo e exagerado da crosta ao edificar relevos exagerados. Este processo construtivo de relevos é contrariado pela erosão e colapso da cadeia orogénica com a génese e preenchimento de bacias sinorogénicas ou tardi-orogénicas localizadas ao longo do limite convergente (fossa)  ou na placa sob a qual se processa a subducção e também, por detrás do arco magmático (bacia marginal).  Os fragmentos de crosta que sofreram esta amalgamação podem formar um grande continente como foi o caso da Pangea no final do Paleozoico. Esta enorme massa continental afetada por um intenso estiramento induzido pela ação das correntes divergentes de convexão mantélica sofreu fragmentação e alguns desses fragmentos ficaram isolados por crescimento de nova costa oceânica, constituindo um puzzle de pequenas bacias marinhas que podem evoluir para oceanos separando diversos continentes. Durante o Triássico assistimos na aual Europa à formação destas “pequenas bacias” com deposição inical de sedimentos resultantes da erosão do orógeno formado durante o Paleozoico – o Orógeno Varisco.

Álbum de formações Buntsandstein na Europa (clique) 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: