Granito do Castelo do Queijo

 

No Castelo do Queijo observa-se o maciço granítico intrusivo numa estreita banda de metassedimentos de direção E-W, pertencentes ao Complexo Metamórfico da Foz do Douro e a sul o desligamento esquerdo, de direção E-W, entre estas rochas e o gnaisse leucocrata ocelado. Nas proximidades do acidente, a foliação do gnaisse é paralela à falha, rodando progressivamente para N110°/120°E, à medida que nos deslocamos para sul, foto 1.

Forte S. Francisco Xavier (CMFD)-2

Foto 1 – Afloramento do Granito do Castelo do Queijo, sobre o qual assenta o Forte de São Francisco Xavier.

Junto ao  Forte de S. Francisco Xavier (Castelo do Queijo), podem observar-se diferentes aspectos texturais e estruturais do granito. Trata-se de uma rocha com tendência porfiróide, de grão médio a grosseiro, biotítico, que por vezes evidencia a presença de encraves microgranulares de rochas melanocratas tonalíticas, foto 2.

Granito do Castelo do Queijo (CMFD)-24

Foto 2 – Granito biotítico, por vezes porfiróide, de grão médio a grosseiro. Na zona do Forte de S. Francisco Xavier pode observar-se este granito porfiroide, de grão médio a grosseiro, biotítico com cristais bem desenvolvidos de feldspato potássico.

Ao microscópio apresenta quartzo, feldspatos (normalmente oligoclase, microclina pertítica e rara albite). A biotite é a mica mais abundante, mostrando uma orientação aleatória na maior parte do maciço embora, localmente, tenda a orientar-se segundo a direcção  N130Eº, orientação esta que se torna mais nítida e persistente nas imediações do contacto com os metassedimentos. Este granito é afetado por uma deformação frágil pós-cristalina.

O granito do Castelo do Queijo exibe frequentemente encraves microgranulares de rochas melanocratas (tonalitos) alguns mesmo de grandes dimensões, foto 3.

Encraves (CMFD)

Foto 3 –  Encraves de grande dimensão no Granito do castelo do Queijo. Os encraves podem ter surgido a partir de uma cristalização, mais ou menos simultânea, de dois magmas imiscíveis e com diferentes viscosidades, correspondendo um deles a um magma granítico e o outro a um magma mais básico, possivelmente de composição tonalítica.

O Granito do Castelo do Queijo apresenta um diaclasamento sub-vertical bastante regular, distribuído por duas famílias com orientação N30ºE e N130ºE, e uma terceira família sub-horizontal, que na parte norte do Forte de S. Francisco Xavier originou um dispositivo em escadaria. Esta rocha encontra-se incluída no grupo dos Granitos Biotíticos com plagioclase cálcica, sendo considerado como um granitóide tardi a pós-tectónico. Possui uma idade isotópica de 292 Ma (pós – D3).

A orogenia varisca constitui o maior evento na evolução tectónica da Europa ocidental, sendo caracterizada por mecanismos de subducção e obducção da crusta oceânica, culminando o processo por colisão intercontinental. Estudos detalhados realizados em diferentes sectores da cadeia varisca, permitem admitir a existência de três fases de deformação dúctil, D1, D2 e D3, e ainda várias fases frágeis pós-D3.

Datações radiométricas sugerem uma atividade magmática intensa durante a orogenia varisca e estão divididos genericamente em granitos sin-D3 (319-313 Ma), tardi-D3 (311-306 Ma) e pós-D3 (296-275 Ma).

Álbum de fotos por ser consultado aqui.

Fontes Consultadas

http://ruc.udc.es/dspace/bitstream/handle/2183/6336/CA-32-17.pdf?sequence=1

 

 

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