Mamute lanudo

Os mamutes são um grupo extinto de elefantes do género Mammuthus, cujos antepassados migraram de África há cerca de 3,5 milhões de anos, espalhando-se pela Eurásia e adaptando-se a um domínio caracterizado por matas, savanas e estepes. O mais conhecido destes proboscídeos (do grego proboskis – tromba) é o mamute-lanudo (Mammuthus primigenius), parente próximo dos elefantes atuais e com aproximadamente o mesmo tamanho, foto 1.

Foto 1

Foto 1 – Uma equipa de cientistas conseguiu sequenciar o código genético do mamute lanudo. Esta equipa estraiu e analisou o DNA do mamute usando uma nova técnica que funciona mesmo com pequenas quantidades de osso fossilizadas. O DNA mitocondrial é particularmente útil para estudar relações evolutivas entre as diferentes espécies. O DNA mitocondrial é transmitido pela linha materna com poucas, mas regulares, mudanças, dando uma visão sobre o passado da espécie em questão. Na foto, a filogenia da família dos elefantes e uma reconstituição do Mamute Lanudo no Museu de História Natural, Estugarda (Alemanha) –  Staatliches Museum für Naturkunde Stuttgart.  

O registo fossilífero mais antigo é do Plistocénico médio (Era Cenozoica), há mais de 400 mil anos, provavelmente no nordeste da Sibéria. O mamute-lanudo encontrava-se perfeitamente adaptado ao frio, com uma camada de pêlo bastante densa. Como muitos dos mamutes ficavam frequentemente enterrados em sedimentos, no caso da Sibéria estes congelaram e muitos dos restos mortais sobreviveram até à época contemporânea no permafrost (solo permanentemente gelado, Foto 2.

Foto 2

Foto 2 – O conjunto de processos que conduz à formação de um fóssil a partir de um organismo denomina-se de fossilização e é um caminho complexo, que pode demorar milhões de anos e que ocorre apenas em condições favoráveis. As águas calmas facilitam a estabilidade e a cobertura do corpo do animal por camadas de sedimentos muito finos que o preservam no seu interior. Com o tempo os sedimentos transformam-se em rocha e o corpo fossiliza. Nesta jazida fossilífera a fossilização ocorreu por mineralização, processo que, por alteração ou por adição de minerais, origina material petrificado dos restos biológicos de natureza orgânica ou biomineralizada. Os restos fossilizados resultam da substituição das partes moles e duras por matéria mineral. Localização de afloramentos com jazidas de mamutes no estado de BadenWürttemberg (Alemanha). 

No tempo dos mamutes crescia uma vasta pradaria árida designada de “estepe dos mamutes”, que se estendia desde a Península Ibérica até à Kamachatka atravessado a ponte terrestre de Bering até ao Alasca e grande parte da América do Norte.

Ervas compridas, ervas de folha larga e arbustos rasteiros da estepe forneciam alimento nutritivo, alimentando uma diversificada megafauna mamífera e exuberantemente peluda de enormes dimensões. Eram ecossistemas com populações de rinoceronte-lanudo, os gigantescos bisontes-de-chifres-longos e os grandes carnívoros como os tigres-dentes-de-sabre e as hienas-das-cavernas. Esta associação faunística viveu num ambiente frio e árido, cuja vegetação era dominada pela vegetação herbácea (a tundra-estepe ou estepe do mamute).  De toda esta megafauna, o mamute-lanudo é sem dúvida o animal mais emblemático das glaciações quaternárias. A fauna do mamute-lanudo nunca se estabeleceu por completo na Península Ibérica mas há registos arqueológicos e paleontológicos ibéricos, sobretudo a norte, na cordilheira Cantábrica e na Catalunha.

Um Europa selvagem que desapareceu

A Europa do Plistocénico, povoada por esta macrofauna, alterou-se drasticamente no fim da última glaciação há cerca de 12 mil anos, quando quase todas as espécies de grandes mamíferos desapareceram. A maioria dos especialistas concorda que este empobrecimento faunístico resultou de dois fatores combinados: por um lado o aquecimento climático, produziu uma mudança profunda da vegetação e, consequentemente o desaparecimento do habitat (local onde vive um ser vivo) dessas espécies.  Por outro lado a  expansão do Homo sapiens exerceu uma pressão considerável sobre as populações destes animais, talvez já debilitadas pela redução do seu habitat, empurrando-as finalmente para a extinção.

Viagem à biodiversidade do Cenozoico (aqui)

Fontes consultadas: 

Esquema da foto 1 – http://journals.plos.org/plosbiology/

National Geographic – Julho 2018

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