Mar Cenomaniano em Lisboa.

Passear num mar cenomaniano no centro de Lisboa, entre calcários margosos, vestígios de recifes de rudistas e terminar o dia nas escoadas basálticas do Complexo Vulcânico de Lisboa.

A Bacia Lusitaniana, que se situa na faixa ocidental do continente euro-asiático, apresenta inúmeros vestígios de atividade tectónica, nomeadamente no que diz respeito à história da abertura do Atlântico Norte, aquando da fragmentação da Pangeia, durante a era Mesozoica.

A Bacia Lusitaniana encontra-se orientada segundo a direção NNE-SSW e tem aproximadamente 250 km de comprimento por 100 km de largura, com uma espessura máxima de sedimentos de cerca de 4 km. A evolução tectónica e sedimentar da região, acompanhada por variações do nível do mar, com consequente variação de paleoambientes, originou uma geodiversidade assinalável, Foto 1.

Mapa 1

 

Foto 1 – Na área da cidade de Lisboa, destes sedimentos estão apenas representados os materiais do Cenomaniano e do Neocretácico. Destes materiais fazem parte o Complexo Carbonatado Cenomaniano e o Complexo Vulcânico de Lisboa (CVL).

O Cenomaniano encontra-se afetado por falhas e dobras, acompanhadas de intenso diaclasamento observável, por exemplo, no vale de Alcântara e na região de Monsanto. O Geomonumento Parque da Pedra é um dos locais onde podemos observar os calcários margosos resultantes dos sedimentos depositados nesta área da Bacia Lusitaniana.

As unidades aflorantes são a Formação de Caneças, calcários margosos e margas (“Belasiano”), do Cenomaniano médio, com espessura de cerca de 45 m e a Formação de Bica, calcários cristalizados com rudistas e calcários apinhoados com Neolobite vibrayeanus (“Turoniano”), do Cenomaniano superior, com espessura que varia entre 40-50 m. O termo “Belasiano” foi proposto para designar um andar regional definido por Choffat (1885) e tem a sua origem na vila de Belas, na região de Lisboa, Diaporama 1.

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Diaporama 1 – Afloramento do Parque da Pedra em Lisboa.

No início do Cretácico Superior o nível global dos oceanos subiu e o mar invadiu grande parte das terras emersas. Na atual região de Lisboa era uma um mar pouco profundo, de águas quentes, propícias à sedimentação de organismos produtores de estruturas de natureza calcária e de vasas da mesma natureza. A este mar pouco profundo chegavam também argilas que deram origem a bancadas de calcários margosos (calcários com argilas). Sobre os calcários margosos da Formação de Caneças estão depositados os Calcários cristalizados com Rudistas da Formação de Bica, Foto 2.

Cenomaniano (Esquema)

Foto 2 – Formação  de Bica,  calcários  cristalizados  com  rudistas  e  calcários  apinhoados  com  Neolobite  vibrayeanus (“Turoniano”),  do  Cenomaniano  superior,  com  espessura  que  varia  entre  40-50  m.  Afloramento na Avenida Duarte Pacheco.

Na Formação de Bica é possível observar fósseis marinhos, sendo muito abundantes os Rudistas, lamelibrânquios (moluscos) coloniais, construtores de bancos recifais. Os  basaltos  do Complexo Vulcânico de Lisboa (CVL),  assentam  sobre  estes  calcários  cenomanianos  e  são,  de  uma forma  geral,  afetados  pelas  mesmas  estruturas,  embora  em  contato discordante,  devido  à erosão  e  à  carsificação  dos  calcários. Este contacto discordante pode ser observado na Pedreira de Colaride.

Toda esta enorme biodiversidade acabou por desaparecer no final da Era Mesozoica (há 65 Ma) na segunda maior extinção em massa ocorrida na Terra.

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