Bacia Cenozóica do Tejo e Sado (Parte 2)

A primeira parte deste percurso no Miocénico de Lisboa pode ser consultado aqui.

No Miocénico Inferior, Lisboa localizava-se no litoral, junto a um mar quente e pouco profundo onde cresciam corais e colónias de briozoários. Em terra existiam pântanos com águas estagnadas, pobres em oxigénio, o que inibia os processos de decomposição biológica, favorecendo  conservação de matéria orgânica.

À beira rio (há 24 milhões de anos – Rua Virgílio Correia)

No Miocénico Inferior, Lisboa localizava-se no litoral, junto a um mar quente e pouco profundo onde cresciam corais e colónias de briozoários.

Em terra, existiam pântanos com águas estagnadas onde a matéria orgânica era conservada. Com o recuo da linha de costa, provocado pela descida do nível do mar, instalou-se um clima mais continental, com influência fluvial. Estes rios depositavam arenitos, ricos em micas provenientes das regiões montanhosas graníticas a Nordeste, Diaporama 1.

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Diaporama 1Areolas da Estefânia. As Areolas da Estefânia são constituídas por areias finas, siltosas, micáceas (areolas), de cores vivas, argilas silto-arenosas e arenitos mais ou menos consolidadas. Há níveis ricos em ostras. O termo “areola” é usado na geologia portuguesa para referir um arenito fino, argilo-micáceo, amarelado e pouco coeso, do Miocénico da região de Lisboa.

Há 17 milhões de anos o mar recuou (Quinta do Lambert)

No Miocénico Inferior existia neste afloramento um ambiente marinho, pouco profundo, ideal para a formação de calcários, ricos em fósseis de moluscos, algas e corais.

Com a descida do nível do mar estes terrenos ficaram emersos e percorridos por rios, ladeados de praias fluviais e planícies aluviais onde pastavam rinocerontes (Gaindatherium) e parentes próximos dos atuais elefantes (Prodeinotherium). Além destes mamíferos, existem nestas areis fósseis de répteis e de peixes de água doce, salobra e marinha, o que denuncia a proximidade da linha de costa, Diaporama 2.

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Diaporama 2 – As areias desta praia fluvial corresponde à fase regressiva da sequência deposicional. É representada por areias amarelas fluviais, com seixos rolados, e argilas arenosas com vegetais e ostras. Sobre estes níveis podem observar-se areias, em parte eólicas, associadas a finos leitos de argila, podendo corresponder a dunas litorais e ambientes deltaicos.

Do Rio ao mar (Há 16 milhões de anos)

Este afloramento da Rua Capitão Leitão, datado do Miocénico Médio apresenta na base um registo de ambiente fluvia com praias e campos de dunas, onde pastavam rinocerontes primitivos.

Esta unidade é constituída por areias feldspáticas e fluviais incoerentes ou fracamente cimentadas, às vezes grosseiras e compactas, com estratificações entrecruzadas e intercalações argilo-margosas. Estas areias contêm importante fauna de vertebrados, restos de vegetais, conchas de moluscos, etc.. No entanto são os ostreídeos (Ostrea crassíssima) em abundância, que caracterizam esta unidade, chegando a formar níveis lumachélicos, de grandes dimensões, que podem atingir os 50 cm, Diaporama 3.

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Diaporama 3 –  Neste afloramento é possível observar estratos intensamente bioturbados. A bioturbação (slide 6  e 7) corresponde ao conjunto de modificações no arranjo estrutural de um sedimento devidas à atividade de seres vivos, com destaque paraos vermes e crustáceos. As lumachelas que ocorrem neste afloramento correspondem a calcário bioacumulado essencialmente formado por ostras.

Com a subida do nivel do mar, a linha de costa aproximou-se, instalando-se aqui um estuário. Neste estuário, sobre a areia onde vermes e crustáceos escavavam galerias formaram-se grandes bancos de ostras.

A Bacia do Tejo teve origem na reativação de fraturas variscas, na dependência das quais se formaram fossas com orientação dominante NE-SW. Inicialmente preenchidas por sedimentos continentais no Paleogénico, sofreram interdigitação sucessiva de sedimentos continentais e marinhos no Neogénico. No Miocénico registaram-se várias transgressões e regressões.  O Atlântico invadiu a bacia no início do Miocénico. A partir de então, a sedimentação na região de Lisboa e da Península de Setúbal ocorreu na interface oceano-continente, com oscilações da linha de costa dependentes das variações do nível do mar e dos efeitos da tectónica.

O enchimento e evolução da Bacia do Baixo Tejo foi um processo complexo e os afloramentos/geomonumentos aqui apresentados são apenas pequenas imagem desta evolução durante o Cenozoico.

Referências:

http://www.cm-lisboa.pt/viver/ambiente/geomonumentos

http://metododirecto.pt/CNG2010/index.php/vol/article/download/234/376

Click to access CT_14_32.pdf

https://www.researchgate.net/publication/274138668_Os_Perissodactilos_e_Artiodactilos_Fosseis_da_Bacia_do_Baixo_Tejo_Portugal

 

 

 

 

 

 

 

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