Penedo de Lexim

A dinâmica Meso-Cenozoica da Península Ibérica é controlada principalmente pela abertura do Oceano Atlântico, pela abertura do Golfo da Biscaia e pela aproximação das placas Africana e a Euroasiática. A atividade ígnea mesozoica distribui-se por três ciclos de diferente natureza química: toleítico, transacional e alcalino, sendo o Complexo Vulcânico de Lisboa (CVL) parte integrante deste último.

A instalação do CVL terá decorrido entre 70 e 72 M.a. situando-se no tempo entre a intrusão do maciço eruptivo de Sintra e a colisão das placas Africana e Euroasiática. O CVL ocorre na península de Lisboa, estendendo-se até Torres Vedras e Arruda dos Vinhos e nas sondagens realizadas na margem sul do Tejo. A sequência vulcânica extrusiva (CVL) assenta sobre calcários com rudistas em contato discordante (ver este post), devido à erosão e à carsificação dos calcários do Cenomaniano superior.

Penedo de Lexim

O Penedo de Lexim, localizado a cerca de 30 Km a norte de Lisboa, pertence ao Complexo Vulcânico de Lisboa. Este complexo representa um conjunto magmático do Cretácico superior que compreende basaltos alcalinos juntamente com traquibasaltos, traquitos e riolititos. O afloramento com 55 M.a. é uma chaminé vulcânica constituída por um tefrito maciço apresentando disjunção colunar regular, Foto 1.

Penedo de Lexim A

A rocha constituinte do Penedo de Lexim possui uma estrutura porfirítica com fenocristais de olivina, piroxena e ulvoespinela.

Este afloramento representa uma porção do preenchimento da conduta vertical do antigo aparelho vulcânico que terá solidificado em profundidade (cerca de 2000m). Os processos de cristalização e de prismação foram condicionados pelo arrefecimento lento e pela elevada pressão litostática existente a 2000 metros de profundidade. Por outro lado ocorreram nestas rochas evidências de arrefecimentos muito rápidos, o que sugere que parte da cristalização ocorreu durante um certo período de tempo contemporâneo co a ascensão de lava desde a câmara magmática até um determinado nível da conduta vertical. Finalmente, a lava completou o processo de solidificação a baixas velocidades de arrefecimento. Durante esta fase final, os episódios de fracturação térmica do tefrito do Penedo de Lexim não se resumiu à formação de juntas e consequente disjunção colunar, Foto 2.

Penedo de Lexim B

A observação do Penedo de Lexim permite verificar a existência de zonas com prismação bem regular e de outras zonas praticamente maciças. As colunas prismáticas apresentam, no máximo, comprimentos de cerca de 5 metros e diâmetros de 50 centímetros, Foto 3.

Penedo de Lexim C

Tal como o nome indica, estas rochas formam-se a partir da cristalização de um magma, podendo também ser designadas por ígneas. O ambiente em que se formam as rochas magmáticas é caracterizado por temperaturas muito elevadas, o que permite a existência de materiais rochosos em fusão (magma) O magma gera-se a grandes profundidades e durante a sua ascensão pode estacionar em câmaras magmáticas, onde vai arrefecendo. O agmapoderá ainda subir para níveis mais superficiais, sob a forma de filões, diques, etc, ou poderá sair diretamente para o meio exterior por processos de vulcanismo. Em situações especiais o arrefecimento da rocha vulcânica  por dar origem à formação de colunas pismáticas hexagonais.

Fontes consultadas

https://www.researchgate.net/publication/257426873_Brief_Contribution_to_the_knowledge_of_the_Lisbon_volcanic_complex

Martins, L., 1991, Actividade Ígnea do Mesozóico em Portugal. Tese de Doutoramento. Universidade de Lisboa.

Palácios, T., 1985, Petrologia do Complexo Vulcânico de Lisboa. Tese de Doutoramento. Universidade de Lisboa.

Matos Alves, C. A. (1980) Complexo Basáltico de Lisboa. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal

 

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