A idade da Terra – Episódio 1

A Terra foi criada a 23 de outubro..

As versões bíblicas sobre a origem do mundo foi aceite quase até ao fim do século XVIII. Após a revolução científica dos séculos XVII e XVIII começou a ser possível abordar cientificamente questão das origens. No princípio tratava-se simplesmente de encontrar evidência material relativa aos fenómenos descritos na Bíblia.

Hoje conhece-se sobretudo a data proposta no século XVII pelo arcebispo James Ussher (1581 – 1656), o qual, após um longo estudo das genealogias do Antigo Testamento, da confrontação de várias versões deste, e da datação de feitos históricos citados por outras fontes da Antiguidade, chegou, em 1650, à data de 4004 anos A.C. para a Criação, e mais concretamente a 23 de outubro, pelo calendário Juliano (o mês veio do facto de haver fruta pronta a ser colhida no jardim do Éden, e também de ser o início do ao judaico, e o dia veio da ideia de que se tinha que ser um Domingo, quando Deus descansou). Mas embora a datação por Ussher seja a mais precisa, a ideia de que o mundo era muito recente era aceite por toda a gente. As datas calculadas por Ussher foram impressas nas margens de todas as Bíblias editadas em Inglaterra a partir do século XVIIII, quando a Igreja Anglicana as aprovou oficialmente e daí passaram para a maioria das denominações religiosas oriundas da Reforma Protestante, incluindo os criacionistas do princípio do século XX.

Não encontramos vestígios de um começo, nem perspetivas de um fim…

Em 1751 foi proposto um outro método para inferir a idade da Terra. George-Louis Leclerc, Comte de Buffon, o famoso naturalista francês, que se dedicou a examinar todos os assuntos então incluídos na História Natural (Geologia, origem da vida, os seres vivos e a sua distribuição geográfica, anatomia, fisiologia e embriologia). Na sua Histoire Naturelle, Buffon sugeriu que a Terra e os outros planetas haviam sido formados quando um cometa colidira com o Sol. A substituição de Deus por um acidente cósmico causou problemas com a Igreja e rapidamente o naturalista pediu desculpa por uma narrativa contrária à de Moisés. Buffon não abandonou as suas ideias e a sua proposta era que a Terra, após a sua origem devido à colisão de um cometa com o Sol, começara incandescente e arrefecera desde então. Calculando a taxa de arrefecimento, podia-se inferir a sua idade. Acabou por chegar a datas extremamente precisas: 74 832 anos desde a formação da Terra, que levou 2936 anos até consolidar.

Depois de Buffon, o escocês James Hutton (1726 – 1797) avançou com outra teoria que expandia ainda mais a idade da Terra. Hutton ficara particularmente impressionado pelos processos de erosão das rochas e do modo como esta erosão resultava eventualmente na formação de solo fértil. O tempo que levavam estes processos naturais era enorme – mas também impossível de medir visto que estes ciclos de erosão e levantamento (formação de mentanhas) podiam ter ocorrido incontáveis vezes. Não encontramos vestígios de um começo, nem perspetivas de um fim, escreveu o escocês em “A Teoria da Terra”, que apresentou em 1788 à Royal Society de Edimburgo.

Fontes consultadas:

Evolução e Criacionismo  – Uma relação quase impossível. Teresa Avelar. Edições Quasi

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