Neocatastrofismo e o Dilúvio de Noé

Em 1998 dois geólogos norte-americanos, co-autores  do livro “O Dilúvio de Noé”, afirmaram que o grande dilúvio narrado na Bíblia poderia ter resultado de uma violenta enxurrada que obrigou as pessoas que viviam na orla costeira em redor do mar Negro a procurar refúgio, transformando o antigo lago de água doce num mar de águas salgadas.

Com o fim da última era glaciar, há cerca de 12 mil anos, o nível das águas foi subindo em todo o globo. De acordo com a hipótese destes dois autores, o mar de Mármara precipitou-se sobre o vale do Bósforo fazendo com que a água salgada invadisse a bacia do mar Negro. O novo mar estabilizou em duas camadas: à superfície, uma camada superior de água salobra e em profundidade uma camada de água salgada sem oxigénio nem vida, imagem 1.

Mar Negro

Imagem 1 – Há muitos milénios, o mar Negro era um lago de água doce com cerca de dois terços da área atual, sem ligação ao Mediterrâneo (9.5 ka). Entre este e o mar Negro existe o mar de Mármara. Durante a época que hoje chamamos Neolítico, foi provavelmente um oásis no meio de uma região seca. Sabe-se também que, com o fim gradual da última glaciação, há cerca de 12 000 anos, o nível dos mares, foi subindo (8.7 ka) devido à fusão dos glaciares, fazendo com que, Mediterrâneo submergisse o vale do Bósforo e entrasse pela bacia do mar Negro. A água salgada mais densa, encheu por completo o fundo da bacia, deixando sobre si uma camada de água salobra, mais leve.

Pelos cálculos destes dois geólogos, este cataclismo provocou a subida do nível do mar Negro a um ritmo de 15 cm por dia. Todas as pessoas da margem viram-se forçadas a recuar mais de um quilómetro por dia, e a velocidade da enxurrada pouco tempo lhes deixou para desmontar as casas e organizar a evacuação.

Baseando-se em amostras de sedimentos obtidas por sondagens e datação absoluta de conchas marinhas, ambos chegaram à conclusão de que o Dilúvio se verificou já cerca de 7500 anos e que a linha de praia do antigo lago deveria hoje encontrar-se 150m abaixo da superfície. Em 1999 a linha de praia foi encontrada com o sonar, exatamente no local previsto.

O neocatastrofismo admite que as mudanças geológicas podem dever-se à existência de uma catástrofe que provocou alterações ambientais, que atuaram, lenta e gradualmente, ao longo de um espaço temporal alargado. O neocatastrofismo aceita a existência de fenómenos catastróficos para explicar as alterações da Terra, igualmente, os princípios orientadores do uniformitarismo.

Fontes consultadas : 

 

 

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