Conglomerado de Vale da Rasca

A margem continental portuguesa é consequência da rotura de dois blocos continentais, ligados no passado num bloco continental bem maior, a que se tem dado o nome de Laurásia. Esta bacia distensiva, a Bacia Lusitaniana, desenvolveu-se, desenvolveu-se durante o Mesozoico encontrando-se dividida em três setores com base em estudos de litoestratigrafia do Jurássico Inferior.

Situada na região de Setúbal esta cadeia corresponde à extremidade sul da Bacia Lusitaniana, representando a estrutura mais interessante e uma das mais importantes da tectónica da inversão de idade Miocénica registada na Bacia Lusitaniana, Foto 1.

Mapa

Foto 1 –

Conglomerado de Vale da Rasca

Esta unidade aflorante e todo o Vale da Rasca é constituído por níveis detríticos silicaclásticos, constituindo os mais grosseiros, conglomeráticos, o núcleo de pequenos relevos alinhados de acordo com a estratificação, Foto 2.

Cadeia da Arrábida - Conglomerado de Vale da Rasca (Rio) esquema A

Foto 2 – No princípio da continuidade lateral, originalmente identificado por Nicolau Steno, assume-se, teoricamente, que uma camada progride lateralmente no espaço. Mas essa progressão lateral não é, na prática muito prolongada. São diversas as formas geométricas, observadas no campo, que demonstram a variação lateral de uma camada: gradação lateral, interdigitação, em cunha. Os limites em cunha representam uma diminuição gradual da espessura lateral da camada até ao seu desaparecimento. Tal ocorrência é habitual na proximidade dos bordos de uma bacia de sedimentação, ou em linhas de água identificadas estratigraficamente em camadas lenticulares.

Os conglomerados  de Vale da Rasca são níveis que testemunham impulsos tectónicos distensivos integrados no terceiro episódio de rifting (Kimeridgiano- Berrisiano Inferior) que afetou a Bacia Lusitaniana no Jurássico superior. Existe uma variação da espessura com a diminuição de Este para Oeste, desaparecendo próximo de Sesimbra, Diaporama 1.

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Diaporama 1 – Unidades de agilas, grés e conglomerados e calcários de Vale da Rasca. Estas rochas detríticas datadas do Kimeridgiano-Titoniano formaram-se numa altura em que houve sedimentação continental acentuada para leste de Sesimbra.

A geometria interna destes corpos sedimentares revelam fácies de natureza fluvial de caracter torrencial, associados a um sistema de leques aluviais dependentes do relevo que existiria a leste da bacia, a falha de Setúbal – Pinhal Novo para o hinterland da Bacia Lusitaniana.

Fontes:

Click to access tesem_leonorramalho.pdf

Click to access Bacia_Lusitaniana%20%28VIICNG%29.pdf

Click to access Kullberg_etal_2000_Arrabida.pdf

 

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