Icnofósseis (Foz da Fonte)

Os fósseis são vestígios de organismos do passado, geralmente conservados em rochas sedimentares. Estes vestígios podem ser restos, a totalidade do corpo do ser vivo ou vestígios da sua atividade. Os vestígios da atividade dos seres vivos, também podem sofrer fossilização. Estes fósseis são conhecidos por icnofósseis.

Icnofósseis na Foz da Fonte

Na Foz da Fonte, durante o Miocénico Inferior (Burdigaliano), ocorreu o início de um ciclo transgressivo e, consequentemente, as rochas sedimentares (calcários) de idade cretácica, que servem de substrato rígido às estruturas fossilizadas (icnofósseis de bioerosão), foram erodidas numa plataforma marinha contemporânea da formação dos referidos icnofósseis (Burdigaliano). Assim, o calcário foi densamente colonizado por vários organismos, uns fossilizados como somatofósseis (e.g. corais, ostreídeos, balanídeos), enquanto outros, em quantidade muito superior, deixaram marcas fossilizadas da sua atividade (icnofósseis), Foto 1.

paisagem1

Foto 1 – Ao longo do tempo, os geólogos, em geral, os paleontólogos, em particular, têm tentado desvendar o passado do Planeta. Estudar as rochas, compreender a relação entre elas, tentar atribuir-lhes uma idade e interpretar o registo fóssil são investigações que têm permitido aproximar o ser humano desta história fascinante – a história da Terra.  Na Foz da Fonte a sequência de eventos presume-se ter sido a seguinte:  1. Do Cretácico Superior (Cenomaniano/Turoniano) até ao Miocénico Inferior – erosão da sequência sedimentar cretácica aflorante e formação da superfície calcária; 2. No Miocénico, durante a invasão costeira das águas marinhas de pequena profundidade, permitiu a colonização do substrato rochoso submergido por esponjas Clionidae (produzindo estruturas do icnogénero Entobia), vermes Sipunculídeos (produzindo Trypanites) e uma densa população de bivalves (produzindo estruturas do icnogénero Gastrochaenolites torpedo e Gastrochaenolites lapidicus); 3. A erosão e bioerosão da superfície continuaram a ocorrer; 4. Com o incremento do ciclo transgressivo, a coluna de água aumentou, resultando numa inibição dos produtores de Gastrochaenolites torpedo e permitindo a colonização de outros organismos, como os bivalves Pycnodonte;

Os resultados obtidos nos estudos realizados nesta plataforma de abrasão miocénica indicam a presença de diferentes espécies de estruturas bioerosivas fossilizadas, tendo sido identificados cinco icnogéneros: Caulostrespis, Entobia, Rogerella, Trypanites e Gastrochaenolites. O icnogénero mais predominante é Gastrochaenolites, Foto 2.

Icnofósseis-3

Foto 2 –  Plataforma de abrasão miocénica com estruturas bioerosivas sendo o icnogénero predominante – Gastrochaenolites.

As condições paleoambientais correspondiam, genericamente, a um ambiente marinho de pequena profundidade (infralitoral) de águas mais quentes que as atuais, mas com semelhantes condições de elevado hidrodinamismo. Nestas condições verifica-se uma escassez de deposição de sedimento (baixa taxa de sedimentação, ou nula) impossibilitando, igualmente, a deposição de organismos encrostantes sobre a superfície rochosa, deixando espaço para a colonização dos organismos bioerosivos.

Fontes consultadas: 

Cachão, M., Redweik, P., Barreira, E., Dinis J., Catita, C. , Silva, C.M., Santos, A., Mayoral, A., Linder, W. (2011). Photogrammetric and spatial analysis of a bioeroded Early Miocene rocky shore, western Portugal. Facies (DOI 10.1007/s10347-010-0248-7)

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