Discordância estratigráfica

A maioria dos estudos procura enquadrar os processos geológicos numa escala de tempo, de forma a permitir reconstituir a História geológica do nosso planeta e a correlacionar os principais eventos que ocorreram em diferentes locais do planeta. Este é o principal objetivo da cronostratigrafia, um dos ramos da estratigrafia, Foto 1.

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Foto 1 – Série de estratos do Cretácico e Miocénico presentes na praia da Foz da Fonte (Sesimbra). Para se caracterizar um conjunto de rochas, é necessário estudar a ua composição mineralógica e estrutura, e descrever detalhadamente o conteúdo fossilífero, caso este exista. Recorrendo à datação relativa e absoluta enquadram-se as rochas em estudo com as referências presentes na coluna estratigráfica.

No registo litoestratigráfico, ramo da estratigrafia que lida com a descrição e a nomenclatura das rochas de acordo com a composição litológica e as suas relações estratigráficas, e no conteúdo fóssil das diferentes rochas existem descontinuidades que terão resultado de interrupções na sedimentação, evidenciando alterações profundas nos paleoambientes, Foto 2.

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Foto 2 – Na Cadeia da Arrábida, na praia da Foz da Telha, as formações identificáveis pertencem ao Cretácico inferior (Mesozoico) e ao Miocénico (Cenozoico). As litologias de idade mesozoica pertencem à “Formação da Galé” sendo compostos essencialmente por rochas margo-carbonatadas: calcários argilosos e gressosos amarelos, bioclásticos e margas verdes destacando-se de entre os fósseis, ostraídeos e orbitolinas. As litologias miocénicas são compostas essencialmente por calcarenitos e margas de cores alaranjadas e amareladas, com fósseis nos quais se destacam, na macrofauna, turritelas e ostras. No contacto entre estas duas formações existe uma lacuna estratigráfica de cerca de 74 Ma.

As lacunas no registo estratigráfico são importantes e fornecem-nos dados muito importantes como por exemplo a mudança nas condições de formação as rocha, orogenias, variações na atividade tectónica e variações do nível médio da água do mar. A lacuna estratigráfica que pode ser observada na Foz da Fonte resultou de um levantamento de origem tectónica da região sul da Estremadura no final do Cretácico. Em consequência deste levantamento, as formações expostas do Mesozóico, ficaram expostas a processos erosivos (este processo com bioerosão pode ser consultado aqui), formando-se uma morfologias cársicas, Foto 3.

Superfície de Carsificaçãob

Foto 3 – Em A plataforma de abrasão emersa no final do Cretácico com bioerosão e carsificação onde foram depositados sedimentos do Miocénico. Esta situação é uma exceção do princípio da sobreposição. Em B as rochas do Miocénico apresentam balastros de basalto do Cretácico – Princípio da Inclusão. Segundo este príncipio o estrato é mais recente do que as rochas que inclui.

Posteriormente durante os eventos transgressivos (o nível do mar sobe e a costa migra para o interior do continente) do Miocénico, toda a região ficou imersa, sendo coberta por sedimentos de origem marinha mais finos uma vez que o nivel médio da água do mar subiu. Parte desta sequência é observável nas arribas desta praia.

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