Nos mares da Serra do Marão

Os icnofósseis são vestígios da atividade biológica de seres vivos do passado, como pegadas, excrementos, ovos ninhos, túneis ou galerias no solo. Os fósseis, neste caso os vestígios da sua atividade são uma importante fonte de informação sobre o passado da Terra. O estudo das rochas e dos fósseis nela contidos, Foto 1, permite reconstruir os ambientes do passado, sendo possível determinar, para além das espécies então existentes, características do ambiente de sedimentação, como a profundidade e temperatura da água, o grau de turbulência, os tipos e sedimentos, etc. Frequentemente, a partir dos fósseis também é possível determinar quando ocorreram tais ambientes, isto é, a sua idade.

marcas de corrente

Foto 1 – Afloramento de quartzitos com marcas de corrente e icnofósseis na Serra do Marão (Vila Real). As rochas levantadas durante a Orogenia Varisca (formação de montanhas), há cerca de 300 milhões de anos são essencialmente arenitos metamorfizados (quartzitos armoricanos) que resultaram de sedimentos que fora depositados em ambiente marinho. Na Serra de Valongo (Porto) ocorrem também estratos deste quartzito armoricano. Marcas de ondulação que resultaram da movimentação das areias nos fundos marinhos pela ação de correntes em zonas de pouca profundidade.

As rochas que aqui ocorrem, e que incluem icnofósseis de Trilobites, são essencialmente do Ordovícico, período da era Paleozoica. A geodiversidade de uma dada região consiste na variedade de aspetos geológicos dessa mesma região. Quanto maior a variedade de aspetos geológicos de uma região, como, por exemplo, rochas, minerais, fósseis ou forma de relevo, mais elevada é a sua geodiversidade. Existem locais, os geossítios, que possuem elementos de geodiversidade com elevado interesse científico, pedagógico ou turístico. Num a dada região, o conjunto de geossítios constitui o seu património geológico.

Quando num determinado nível ou camada se identifica uma enorme concentração de galerias ou pistas que perturba de forma mais ou menos intensa as estruturas sedimentares iniciais, Foto 2, designa-se por bioturbação. Deste modo, a bioturbação resulta do revolvimento dos sedimentos por parte de certos tipos de organismos que viveram em domínios aquáticos.

icnofósseis (trilobites)-2

Foto 2 – Os fósseis representados na fotografia são icnofósseis, isto é, são vestígios de atividade biológica de seres vivos do passado. O processo de fossilização foi a moldagem. As marcas deixadas nos sedimentos pelos animais (Trilobites), ao serem prenchidas por novos sedimentos, funcionaram como moldes.

As bilobites, Diaporama 1 são marcas orgânicas que resultaram da atividade de organismos. Exemplos muito frequentes destas estruturas são as cruzianas. Tratam-se de pistas constituídas por dois sulcos paralelos. A partir da zona axial partem nervuras dispondo-se oblíqua ou transversalmente ao eixo central.

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Diaporama 1 – A região onde atualmente está localizado este afloramento, Serra do Marão, constituía, há 480 milhões de anos, um fundo marinho. Provam-no as marcas de ondulação fósseis e os fósseis da atividade biológica de animais marinhos como as trilobites. Os icnofósseis neste afloramento indicam um ambiente de formação marinho típico de zonas costeiras, com rebentação em águas pouco profundas. Fotos de um horizonte quartzítico com Cruzianas tectonicamente deformada, no topo do Membro Ermida da Formação Marão.

 A vida no Paleozoico.. um resumo curto.

Esta era é caracterizada por um explosão de biodiversidade aquática no Período Câmbrico. O final da Era Paleozoica foi marcado pela extinção em massa das trlobites e de muitos seres vivos aquáticos e terrestres, Foto 3.

Icnofósseis (Trilobites)-5.jpg

Foto 3 – Nos mares quentes e pouco profundos evoluíram numerosos grupos de animais aquáticos invertebrados ( divisão do Reino Animal, sem valor taxonómico, que inclui todas as formas, com exceção dos vertebrados) com exoesqueleto, como as trilobites. O desenvolvimento do exoesqueleto terá sido uma das causas do abundante e diversificado registo fóssil desta Era.

Já não existem representantes atuaisda trilobites – artrópodes fósseis em que o corpo protegido por um exoesqueleto duro, estava dividido em três partes. Foram animais marinhos que viveram no Paleozoico e ocupavam todos os nichos ecológicos, desde a superfície da água até às profundidades sem luz onde existiam espécies de trilobites cegas.

 

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