Réquiem por um Dodó

Um Réquiem, é uma missa da Igreja Católica oferecida para o repouso da alma de uma ou mais pessoas falecidas, usando uma forma particular do Missal Romano.

Desde que a vida se iniciou na Terra que ela não tem parado de evoluir. Milhares de espécies extinguiram-se, como prova o registo geológico. Neste registo podemos encontrar fósseis de seres vivos diferentes dos atuais, como consequência da seleção natural (e artificial) nos ecossistemas ao longo do tempo geológico. Este equilíbrio dinâmico entre as espécies que se extinguem e as outras que evoluem nos novos ambientes passou durante o Cenozoico a estar ameaçado pela intervenção do Homem.

Os fatores que podem determinar a extinção das espécies podem ser classificados, Figura 1, em naturais, e em não naturais.

extinções

Figura 1 –  Fatores de extinção das espécies. Na maioria das  vezes, é a atuação de vários destes fatores que concorre para a extinção das espécies.

A extinção é o fim de qualquer linhagem de organismos, da subsespécie à espécie e a categorias taxonómicas mais elevadas, do género ao filo. A extinção pode ser local, em que uma ou várias populações de uma espécie ou de outra unidade desaparecem, mas outras há que sobrevivem em certas zonas, ou total (global) em que todas as populações desaparecem. Quando os biólogos falam em extinção de uma espécie em particular, sem quantificação adicional, referem-se à extinção total.

A atuação dos fatores referidos na Figura 1, torna inicialmente as espécies vulneráveis, depois ameaçadas, de seguida em perigo de extinção e, finalmente, extintas. Uma espécie é considerada extinta quando nos últimos 50 anos, deixaram de ser observados indivíduos selvagens.

Para poder conservar o meio natural devemos modificar o conceito de que a “Terra é uma fonte inesgotável” e alterar o ritmo atual de crescimento e consumo da Humanidade. Os dois instrumentos que podem ajudar a atingir aqueles objetivos são ordenação do território e educação ambiental. Uma forma de conservar é, também, proteger os ecossistemas mais ricos e representativos de um país ou região, através de áreas próprias (parques nacionais, parques naturais, as reservas naturais e as paisagens protegidas).

O Dodó

No início da década de 1680, nas ilhas Maurícias, situadas no Oceano Índico, a cerca de 1300 quilómetros da costa leste de Madagáscar, extinguiam-se os últimos  Raphus cucullatus, conhecido pelo nome de Dodó.

Este famoso pássaro não voador cuja natureza triste mas confiante, aliada à falta de força nas pernas, transformou-o num alvo irresistível para os marinheiros que aportavam nestas ilhas do Índico. Milhões de anos de pacífico isolamento não tinham preparado o Dodó para enfrentar o comportamento do ser humano. Hoje em dia não sabemos bem como era um Dodó vivo, temos uma meia dúzia de descrições feitas por naturalistas, três ou quatro quadros a óleo e alguns fragmentos ósseos empalhados nos museus de História Natural, Foto 1.

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Foto 1 –  Dodó empalhado no Museu de História Natural em Londres. O que sabemos do Dodó: viveu nas ilhas Maurícias, era gorducho mas nada saboroso, e foi o maior membro da família dos pombos, embora o seu tamanho nunca tenha sido registado co exatidão. Extrapolações feitas a partir dos “fragmentos ósseos”, associadas aos modestos vestígios que encontramos em museus, parecem indicar que não teriam mais de 75 centrímetros de altura, e mais ou menos a mesma dimensão do bico até à cauda. Como não podia voar, fazia o seu ninho em terra, deixando os seus ovos e crias à mercê dos porcos, cães e macacos trazidos pelo Homem para as ilhas. Pensa-se que se terá extinguido em 1683. Para lá disso não e sabe quase nada, excetuando o facto de nunca mais podermos ver mais nenhum. Nada sabemos dos seus hábitos de reprodução, nem o que comia, nem por onde costumava parar, nem os sons que fazia quando estava sossegado ou quando que assustava. Não temos um único ovo de Dodó.

Do princípio até ao fim, o contacto do ser humano com o Dodó vivo limitou-se a 70 anos. É um período incrivelmente curto! Hoje sabemos que as ilhas oceânicas são os nossos grandes laboratórios naturais da evolução, a origem de tantas ideias sobre as alterações orgânicas e de tantos exemplos clássicos desde dos tentilhões das Galápagos às moscas dos Havai. A combinação do isolamento geográfico, do acesso difícil, e a frequente ausência de predadores ou competidores, proporciona hipóteses explosivas às criaturas que conseguem alcançar estes generosos refúgios. Não foi este o destino da ave que não voava – Dodó.

 

Fontes : Breve história de quase tudo. Bill Bryson

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