Celacanto, um ser vivo que não é fóssil

Os “fósseis vivos” são evidências de seres vivos que existiram no passado e que são, na sua maioria, diferentes dos seres vivos atuais, pelo que permitem compreender como têm evoluído as espécies até chegarem às formas mais recentes.

Na atualidade, existem algumas espécies de seres vivos muito semelhantes a organismos do passado. São géneros que não se extinguiram e que se modificaram muito pouco ao longo do tempo, como é o caso do Celacanto, Foto 1.

celacanto

Foto 1 – Os organismos conhecidos por “fósseis vivos” são evolutivamente estáveis, ou seja, sofrem evolução lenta. O celacanto capturado em 1938 ainda é considerado a maior descoberta zoológica do século XX. Este “fóssil vivo” veio de uma linhagem de peixes que se pensava estar extinto desde a época dos dinossáurios. Eram um género já conhecido nos registos fósseis datados em mais de 360 milhões de anos tendo desaparecido no final do Mesozoico. Hoje em dia são encontrados em cavernas marinhas a mais de 200 metros de profundidade, perto de ilhas vulcânicas.

Os paleontólogos pensam que peixes cartilagíneos (tubarão, por exemplo) e peixes ósseos (sardinha, por exemplo) surgiram no período do Silúrico (Paleozoico), a partir de ancestrais placodermes, Foto 2.

PLacodermo.jpg

Foto 2 – Os placodermes foram muito bem sucedidos e dominaram os mares do Paleozoico como grandes predadores e alcançaram uma extraordinária diversidade no Devónico. Estes peixes desapareceram durante os eventos de extinção ocorridos no final do Devónico que afetaram diversos grupos biológicos.

Os Peixes dividem-se em quatro classes : Chondricthyes (Tubarões), Actinopterygii (sardinha e peixes de água doce), Actinistia (Celacanto) e Dipnoi (vertebrados de água doce).

Os peixes cartilagíneos (Chondricthyes) surgiram nos mares paleozoicos enquanto os peixes ósseos (Actinopterygii, Actinistia e Dipnoi) terão evoluído em ambientes de água doce e só mais tarde conquistado os ambientes de água salgada onde se tornaram o grupo dominante.

Os primeiros Actinopterígios provavelmente respiravam por meio de brânquias, complementando a respiração por meio de uma bolsa ligada à faringe, que atuava como uma espécie de pulmão. No início do período Devónico, há cerca de 400 milhões de anos, os peixes ósseos já estavam diversificados em três grandes grupos: peixes com barbatanas radiais (actinopterígios), peixes com barbatanas lobadas (crossopterígios ou actinistia ) e peixes pulmonados (dipnóicos).

Os actinopterígios tiveram tiveram enorme sucesso evolutivo, tendo originado maioria dos peixes atuais, que compõem a classe Actinopterygii. Neste grupo, o primitivo pulmão perdeu a sua função respiratória e deu origem à bexiga natatória. Os dipnóicos, também chamados peixes pulmonados, evoluíram em ambientes de água doce e continuaram a utilizar o seu pulmão primitivo como órgão respiratório acessório das brânquias. Hoje são apenas conhecidos três géneros desse grupo, que vivem na América do Sul, África e Austrália.

Peixes da classe Dipnoi (dipnóicos) respiram no meio aéreo por meio de uma bolsa ricamente vascularizada ligada à faringe, que funciona como pulmão (daí serem conhecidos como peixes pulmonados). Enchem o seu “pulmão” com ar, de modo que o sangue circulante nas paredes da bolsa retira o oxigénio e elimina o dióxido de carbono. Acredita-se que este tipo de respiração era utilizado pelos ancestrais dos actinopterígios, que possivelmente viviam em água doce pobre em oxigénio terão desenvolvido esse mecanismo como órgão respiratório acessório das brânquias.

Os crossopterígeos (Actinistia) foram considerados extintos até 1938, quando um peixe vivo extremamente semelhante a exemplares fósseis foi capturado por pescadores  nos mares de Madagáscar. Este “fóssil vivo” foi classificado como Latimeria chalumnae, popularmente conhecido por Celacanto. Atualmente, esses animais, que chegam a 2 metros de comprimento, compõe, a classe Actinistia, ou Sarcopterygii.

 

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