Serra da Estrela

A Serra da Estrela é um maciço montanhoso que atinge 1993 metros no planalto da Torre, no lado sudoeste. O seu processo de formação iniciou-se ainda antes do Paleozoico, prolongando-se durante toda esta era geológica.

Em meio marinho, desde o Pré-câmbrico até ao Câmbrico, há cerca de 500 milhões de anos (M.a.), foram-se acumulando sedimentos provenientes da erosão dos continentes então existentes, atingindo uma espessura estimada em alguns quilómetros. Estes sedimentos, constituídos essencialmente por camadas alternadas de areias e argilas, deram origem, primeiro, por diagénese, a alternâncias de argilitos e grauvaques e, depois, por metamorfismo, a alternâncias de filitos e metagrauvaques, que observamos hoje no Supergrupo Dúrico-Beirão (Complexo Xistograuváquico) da Serra da Estrela. No Devónico, há 380 M.a., os sedimentos acumulados sofreram movimentos compressivos, característicos do início da orogenia varisca, provocando dobras com orientação NO-SE. Debaixo destes sedimentos, foi-se instalando, durante cerca de 30 M.a., uma grande massa de granitos, rocha predominante em todo o maciço. No final da orogenia varisca, há 240 M.a., ocorreu a fracturação das rochas formadas. Durante o Mesozóico, por erosão dos níveis superiores da crosta, esta, por alívio de carga, foi subindo, trazendo para a superfície as rochas que se formaram em profundidade. Originou-se, assim, uma superfície aplanada. No Cenozóico, iniciou-se uma nova fase, relacionada com a orogenia alpina, que provocou nova movimentação das falhas formadas na orogenia varisca, que passaram de falhas de desligamento a falhas inversas (inversão tectónica). Mais recentemente, iniciaram-se os movimentos de subida dos blocos responsáveis pela elevação do maciço e dos quais resultou a atual estrutura da Serra da Estrela, Foto 1.

Serra da Estrela-3

Foto 1 – Bloco diagrama da geologia da Serra da Estrela. Para além das rochas magmática, encontram-se rochas Supergrupo Dúrico-Beirão.Os granitóides variscos ocupam uma extensa área na Serra da Estrela, apresentando entre si pequenas diferenças de idade, predominado largamente os granitos tardi a pós-D3. Trata-se de granitos monzoníticos, de duas micas, predominantemete biotíticos, de textura porfiróide, com matriz de grão grosseiro a grosseiro a médio. Por vezes apresentam uma matriz de grão muito grosseiro e fenocristais d feldspato que podem atingir grandes dimensões, pelo que são vulgarmente conhecidos por “granitos dente de cavalo”. É frequente os fenocristais de feldspato potássico apresentarem uma orientação segundo direções preferenciais, variáveis de local para local, que parecem corresponder a direções de fluxo magmático. No contacto do granito com os xistoss e os metagrauvaques podem ser observadas corneanas.

A tectónica mantém-se ativa, condicionada pelos grandes sistemas regionais de fraturas, com a ocorrência de pequenos sismos e de nascentes termais em toda a região.

Em Portugal são conhecidos apenas vestígios da glaciação Würm, que teve o pico máximo há cerca de 18 000 a 20 000. Estes vestígios constituem um importante marco da paisagem, e caracterizam-se pela presença de valem em U, moreias, blocos erráticos e rochas com polimento e estrias, Foto 2.

Serra da Estrela

Foto 2Cântaro Magro. Pico rochoso mais proeminente da Estrela com 1928 metros de altitude, profundamente mrcado pela erosão glaciária. s glaciares são importantes agentes erosivos, transportando elevadas quantidades de sedimentos de diferentes granulometrias. A erosão provocada pelos glaciares depende de diversos fatores, nomeadamente: velocidade de deslocação do glaciar, espessura do glaciar, composição, forma e abundânica do material rochoso transportado e resistência das rochas que constituem o fundo do vale. Os cântaros são uma designação popular de alguns picos graníticos da serra da Estrela. Formações imponentes, ajudam a explicar os processos geológicos de formação e evolução da serra.

Há cerca de 20000 anos, ocorreu a última glaciação que deixou testemunhos geomorfológicos únicos em Portugal, nomeadamente na Serra da Estrela, Foto 3. A temperatura atmosférica média mensal era sempre negativa, permitindo a existência de neves perpétuas acima dos 1650 metros, formando uma calote de gelo. Esta calote deu origem aos glaciares, cujos vestígios se encontram registados nos típicos vales glaciários da Serra. Durante a glaciação de Würm, a temperatura média era de 10◦C inferior à atual, o que permitiu a acumulação de neve permanente a partir dos 1659 me de altitude. No planalto da Torre (região mais alta), o gelo ocupava uma vasta área e a sua espessura podia atingir os 80 m.

Cabeça-do-Homem

Foto 3 – No Quaternário (Cenozoico) toda a egião esteve sob o efeito da glaciação de Würm. A riqueza geológica também se revela ao nível da geomorfologia, com aspetos particulares, como por exemplo a Cabeça-do-Homem. Em toda a Estrela encontramos bolas e blocos granítcicos, isolados ou constituindo aglomerados caóticos, conhecidos por caos de blocos  ou caos de bolas. São formas muito vulgares, dissiminadas em vastas superfícies graníticas. Não é raro encontar-se blocos pedunculados, com fomas de objetos, zooomórficos ou antropomórficos, como é o caso da Cabeça-do-Homem. Associadas ou não a estas formas identificam-se formas de pormenor variadas como o caso de gnammas, tafoni, caneluras e ninho de abelha.

Na atualidade, é possível identificar pequenos lagos e charcos que ocupavam depressões formadas pelos glaciares. Do planalto partiam diversos glaciares de vale. Estes glaciares de vale formam-se nas regiões montanhosas e ocupam os vales preexistentes. Quando o glaciar recua deixa moreias, acumulações de sedimentos transportados pela massa de gelo e caracterizam-se por serem de diferente granulometria (dos blocos de argila) e por isso não apresentam estratificação. Quando este material consolida forma os tilitos, que constituem uma das principais evidências da ocorrência de glaciações, num passado remoto, Foto 4.

Lagoa Comprida

Foto 4 – Lagoa Comprida. Um antigo covão agora delimitado por uma barragem, que marca o trajecto do glaciar que por aqui passou. São três os rios que nascem na Estrela: o Mondego, o Alva e o Zêzere. No total existem 25 lagoas de maiores e menores dimensões.

O estudo dos glaciares e dos vestígios deixados pela atividade do glaciar (morfologia, depósitos sedimentares, rochas estriadas e polidas, etc.) permite reconstituir os paleoambientes assim reconstituir as variações climáticas ao longo o tempo geológico.

Vídeo sobre o Geoparque da Estrela

Fonte consultada : http://www.geoparkestrela.pt/

 

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