Biostratigrafia

Através dos dados da litostratigrafia podemos correlacionar determinados acontecimentos geológicos ocorridos numa determinada região. Porém, quando queremos correlacionar determinado tipo de formações geológicas com outras muito afastadas geograficamente, apenas com os dados relativos características litológicas, esses revelam-se insuficientes.

Biostratigrafia

Uma correlação a nível global pode ser feita tendo em conta o conteúdo paleontológico de um determinado estrato, o que permite comparar a idade relativa de diferentes formações no espaço e no tempo. A biostratigrafia pode ser considerada uma ciência fronteira entre a estratigrafia e a paleontologia, tendo como principal objetivo o estudo temporal dos fósseis existentes no registo estratigráfico, Foto 1.

SBViagem (quadro)

Foto 1 – Certo tipo de fósseis, como por exemplo as amonites, funcionam como “relógios” extremamente precisos na datação de determinadas formações geológicas. Os fósseis que permitem ao geólogo estabelecer com precisão o período de tempo correspondente a um determinado acontecimento são denominados fósseis indicadores estratigráficos, característicos ou de idade. Estes fósseis apresentam uma repartição geográfica muito ampla (distribuição horizontal) e evolução de géneros e espécies muito rápida (distribuição vertical). A abundância e a capacidade de preservação (partes duras) dos vestígios que ficaram fossilizados permitem classifica-los como marcadores temporais muito precisos.

Com base na presença de determinados fósseis de idade, é possível estabelecer correlações entre estratos de formações geograficamente afastadas. O princípio da identidade paleontológica ou da sucessão faunística admite que estratos que possuam o mesmo registo paleontológico são da mesma idade, Foto 2.

SBViagem111A

Foto 2 – Cada fóssil, ou grupo de fósseis, completo ou incompleto, deve ser perfeitamente localizado relativamente ao estrato onde foi recolhido. Assim, cada estrato que contenha determinado conjunto de fósseis característicos é considerado como pertencente à unidade biocronológica que é caracterizada por aquela associação de fósseis, sendo-lhe atribuída a idade correspondente.

Unidades boestratigráficas

Quando, ao longo de uma sequência estratigráfica, separamos estratos em função das suas características litológicas, estamos a delimitar unidades litoestratigráficas. Mas, se ao individualizarmos em função do seu conteúdo fóssil estamos a delimitar unidades bioestratigráficas.  A unidade mais comum é designada biozona e pode ser definida como o estrato ou conjunto de estratos, que apresenta um conjunto de fósseis característico. Na delimitação de uma biozona assume particular importância o conjunto de fósseis de idade que a caracteriza, Foto 3.

Distribuição estratigráfica das Amonites

Foto 3 – O conceito de Biozona foi introduzido pelo cientista alemão Albert Oppel, em 1856 e corresponde ao conjunto de estratos caracterizados pela presença do mesmo conteúdo fossilífero. Embora algumas biozonas sejam definidas apenas pela presença de uma espécie fóssil, a maioria é definida por uma associação de diferentes fósseis. Existem diferentes tipos de biozonas de acordo com as quantidades relativas, características morfológicas específicas, conteúdo, distribuição e associações de fósseis.

Algumas Biozonas:

Zona de Oppel – Definida pela associação única de 3 ou mais taxas de fósseis (podem ser de diferentes espécies, mas que pertencem ao mesmo género).

Zona de distribuição de um táxon – Conjunto de rochas que representa a distribuição estratigráfica e geográfica de um táxon.

Zona de distribuição concomitante – Inclui as rochas definidas pela sobreposição ou presença simultânea de dois táxon.

Zona de abundância – A abundância de um táxon ou taxa comparativamente a rochas adjacentes define uma biozona.

Zona de Intervalo – Definida pela ausência de um ou mais táxon por um período de tempo variável.

 

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