Skarn

Skarn é um termo antigo sueco, que era utilizado para caracterizar rochas muito duras, compostas, na sua maioria, por minerais calco-silicatados, tais como piroxenas, anfíbolas e epídotos, entre outros, Foto 1.

Rochas Metamórficas (Polónia)-11

Foto 1Skarn com epídoto (Polónia).  Atualmente, este termo é usado para definir o processo de substituição de rochas carbonatadas por associações de minerais calco-silicatados, durante o metamorfismo de contacto ou regional, através de metassomatismo. De entre os minerais que habitualmente caracterizam os skarns destacam-se: piroxenas, granadas, vesuvianite, volastonite, actinolite, magnetite ou hematite e epídoto. Além disto, os skarns encontram-se muitas vezes enriquecidos em elementos incompatíveis, que podem originar minerais como turmalina, topázio, berilo, fluorite, apatite e barite, entre outros.

O metassomatismo é um processo de transformação provocado pela interação de uma fase fluída com a rocha envolvente. Isto leva não só à formação de novos minerais como também à modificação da composição química da rocha. As rochas que sofreram metassomatismo, ou seja, onde houve entrada ou saída de componentes químicos e modificação dos seus minerais, designam-se metassomatitos.

Génese de skarns

Os depósitos de skarns estão, em geral, relacionados com intrusões de granitos em rochas carbonatadas. Há uma grande variedade de depósitos de skarns que podem ter interesse para a exploração de metais, em especial de W, Cu, Fe, Mo, Pb-Zn e Au. Esta grande variedade de mineralizações pode ser explicada pelas diferentes composições, pelos diferentes estados de oxidação e pela afinidade metalogénica da intrusão granítica.

Apesar da grande variedade de depósitos de metais associados a skarns, a base de formação para todos eles é muito similar. Normalmente há uma intrusão granítica que desencadeia o processo, fornecendo o calor necessário e parte dos fluidos que estão envolvidos nas reações metassomáticas. Esta intrusão granítica nem sempre é identificada em afloramento, mas a sua presença é, normalmente, inferida. Na sequência imediata da instalação do corpo ígneo ocorre, na génese do skarns, uma sequência de processos que pode ser dividida em três etapas principais, Foto 2.

Esquema de um Skarn.jpg

Foto 2 – Evolução esquemática dos processos metassomáticos. A sequência dos processos que ocorrem podem ser divididos em três grandes etapas.

 

Evolução dos processos metassomático

Etapa 1

Nesta etapa, o metamorfismo ocorre, predominantemente, pelo efeito térmico. Os calcários originarão mármores, os argilitos e os metapelitos transformar-se-ão em corneanas pelíticas, os arenitos quártzicos passarão a conter minerais como granada, vesuvianite, volastonite, clinopiroxena, tremolite, talco ou plogopite, para além dos carbonatos dominantes (calcite e/ou dolomite). Não se formam skarns nesta fase, exceto muito localmente, em estreitas faixas ao longo do contacto entre litologias fortemente contrastantes (skarns de reação).

Etapa 2

Nas etapas finais da diferenciação magmática, o corpo plutónico liberta fluidos aquosos que tenderão a migrar para a auréola de contacto. Em níveis crustais profundos, o fluxo de fluidos tende a estar concentrado ao longo de condutas bem delimitadas (como planos tectónicos ou superfícies de estratificação), enquanto em níveis pouco profundos a influência dos fluidos será mais penetrativa devido à sua circulação ocorrer concomitantemente com fenómenos de fracturação hidráulica. Agora, a formação de paragénese metamórfica acompanha a modificação da composição química das rochas carbonatadas, as quais tenderão a sofrer fortes enriquecimentos em Si, Al e Fe, bem como noutros componentes introduzidos pelos fluidos. Os silicatos que se formam nesta etapa são habitualmente os mesmos que já se estariam a formar na anterior. Adicionalmente, a formação de óxidos (como magnetite e cassiterite) e de volframatos (scheelite) pode também começar a assumir importância

Etapa 3

Com o arrefecimento, irá ocorrendo simultaneamente o declínio de importância dos fluidos de origem magmática, continuando, contudo, a ocorrer circulação hidrotermal, só que, nesta etapa, dominada por água proveniente da superfície. Em consequência, as paragéneses metamórficas anteriores tenderão a ser substituídas por associações mineralógicas de baixa temperatura e em que abundam os minerais hidratados. O epídoto, a clorite e a actinolite, por exemplo, são silicatos típicos desta etapa da génese de skarns.

Diferentes tipos de skarns

Os skarns podem dividir-se de acordo com dois tipos principais de critérios: o tipo de protólito e o tipo de mineralização. Quanto ao primeiro critério, faz-se uma divisão entre endoskarns e exoskarns. Estes são termos usados para distinguir se o protólito de um skarn era uma rocha sedimentar carbonatada (usando-se, neste caso, o termo exoskarn) ou uma rocha ígnea intrusiva (endoskarn). Os exoskarns são ainda subdivididos, quanto à sua composição, em cálcicos e magnesianos, sendo de referir que a maioria dos depósitos económicos de skarn se encontram em exoskarns cálcicos.

No que se refere às mineralizações, as mais importantes são as de cobre, ferro, tungsténio, zinco-chumbo, molibdénio e estanho. Na maioria dos casos, os depósitos de skarn são pequenos em comparação com outros depósitos metalíferos. Contudo, ao contrário do que sucede com os restantes metais referidos, os skarns constituem uma das principais fontes de tungsténio à escala mundial.

Há ainda outros metais que podem ter interesse económico nalguns skarns, como sucede com o ouro e a prata, obtidos como sub-produtos da exploração de depósitos cupríferos.

Fontes consultadas: 

Einaudi, M., T.; Meinert, L., D.; Newberry, R., J. (1981). Skarn deposits. Economic Geology, 75th Anniversary Volume, 317-391.

Meinert, L. D. (1992). Skarn and skarn deposit. Geosci. Canada.

Miyashiro,A. (1994). Metamorphic Petrology. Oxford University Press, New York.

 

 

 

 

2 thoughts on “Skarn

Add yours

  1. Mais um post cinco estrelas, quando tive petrologia nunca ouvira falar de skarns, comecei a ter conhecimento desta designação no atual livro da Geologia de Portugal, e fiz algumas pesquisas, até cheguei a pensar que seria uma nova denominação para corneanas carbonatadas, pois percebi a relação com o metamorfismo de contacto, mas não cheguei a esta fase do metassomatismo. Agora tudo ficou claro. Boa Páscoa.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

Site no WordPress.com.

EM CIMA ↑

%d bloggers like this: