Calcários de Salselas – Sítio de Morais

Na aldeia de Salselas existem vestígios de uma antiga exploração artesanal de calcário. Os calcários são rochas muito comuns no litoral e sul de Portugal mas são raros no interior norte. O pequeno afloramento de calcários, que ocorre entre Salselas e Vale da Porca, formou-se nas margens do antigo oceano Rheic há cerca de 420 milhões de anos.

O ciclo Varisco tem início no período Câmbrico com o desmembramento e reorganização dos continentes existentes nesse período compreendendo essencialmente, o Laurentina, Báltica, Sibéria e Gondwana, Foto 1 (esquema 2). Um ciclo geológico (Ciclo Wilson) inclui a fase de sedimentogénese e a fase de tectogénese, culminando com a edificação da cadeia de montanhas. A expansão do oceano e a acumulação de sedimentos do ciclo Varisco desenvolvem-se entre o Ordovícico e o Silúrico (500-400 Ma). O fecho do oceano (e neste caso do Oceano Galiza Trás-os-Montes) e colisão continental inicia-se no Devónico inferior (330 Ma) e a Cadeia Varisca foi edificada no Devónico-Carbonífero (380-280 Ma).

Esquema 1

Foto 1 – Calcários de Salselas, geossítio G15 do Geoparque de Cavaleiros. Esquema 1, Formação de Calcários recifais. Correspondem à edificações do tipo bioerma e biostroma. Os componentes destes calcários não evidenciam quaisquer vestígios de transporte, dado que resistem à ação mecânica das vagas. Os coraliários, ao contrário do que é ideia generalizada, não são os principais construtores de recifes, sendo estruturas maioritariamente edificadas por algas incrustantes, estromatoporíedos, espongiários e briozoários. Os “Calcários de Salselas” correspondem a metacalcários.  Esquema 2 – distribuição das massas continentais no Silúrico Médio, mostrando a posição dos continentes que marginavam o Oceano Rheic, e o oceano menor  de Galiza e Trás-os-Montes, cujo fecho conduziu à formação da Cadeia Orogénica Varisca da Europa.

Estes calcários, Foto 2, formaram-se há cerca de 420 milhões de anos nas margens de um oceano primitivo (Oceano Galiza Trás-os-Montes), adjacente ao continente Gondwana. Este oceano de baixa profundidade e de águas quentes e calmas resultaram da ação de seres vivos construtores de recifes.

Calcários de Salselas (Macedo de Cavaleiros)-2 (26)

Foto 2 – Afloramento dos metacalcários de Salselas. Os metacalcários encontram-se carsificados e é possível observar a presença de estalactites. Referidos como espeleolitos ou espeleotemas (dripstones) são calcários estritamente quimiogénicos, edificados e litificados durante a precipitação, na sequência e ao ritmo do gotejar da água no interior do afloramento.

O afloramento de Salselas é um afloramento de calcário raro, mas importante, quer pela sua origem quer pela sua idade. Formados há cerca de 420 Milhões de anos, durante o período Silúrico da Era Paleozoica, a partir de recifes de corais. Estes recifes assinalaram a transição de uma margem passiva, de grande atividade vulcânica, para o início da oceanização Varisca. No Maciço de Morais os calcários de Salselas localizam-se, no topo do complexo vulcano-silicioso, Foto 3, podendo também aflorar na base da unidade. Deste modo, os calcários formaram-se a partir de um fundo oceânico que, com o passar dos anos, aflorou. Contudo, não foi possível encontrar nenhum registo fóssil que nos comprove a sua origem, dado o metamorfismo que a rocha sofreu.

AAAS.jpg

Foto 3 – “Calcários de Salselas” do Complexo Vulcano-Silicioso da margem Gondwânica.  Estes calcários fazem parte da unidade alóctone inferior (Complexo Alóctone Inferior – CAI ou Unidades Centrotransmontanas).

Em conjunto com as Unidades Peri-transmontanas  (Complexo de Mantos Parautóctones – CMP) fazem parte da microplaca Ibérica (Terreno Ibérico) representativa das margens do continente Gondwana. Estas duas unidades apresentam afinidade com o autóctone e pouco distantes ou deslocadas do seu lugar de origem (zona de raízes). Sobre estas unidades encontram-se as unidades alóctones deslocadas mais de 200 km, relativamente à zona de raízes.

Fontes consultadas: 

Ribeiro, A.; Pereira, E.; Ribeiro, M. L.; Castro, P. (2013). Unidades alóctones da região de Morais (Trás-os-Montes oriental). In Rui Dias, Alexandre Araújo, Pedro Terrinha, José Carlos Kullberg (2013). Geologia de Portugal, Vol. I: Geologia Pré-mesozóica de Portugal. Eds. Cap. II.1.6., p. 333-376. Lisboa: Livraria Escolar

 

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