Tors – Génese e evolução

Na génese e evolução das formas graníticas encontramos um complexo de fatores de ordem litológica, climática e estrutural, interligados entre si, que confluíram para o aparecimento de uma variedade de formas de pormenor, de macrodimensão ou macroformas e microdimensão ou microformas.

A definição de uma tipologia intermédia entre as formas maiores e as de pormenor deve-se sobretudo à sua variabilidade dimensional.

As formas graníticas não estão apenas relacionadas com os processos de geodinâmica externa e a atuação precoce de outros agentes, relacionados com os processos de geodinâmica interna, determinam um conjunto de características inerentes à própria rocha, de carácter mineralógico, textural e estrutural, com elevada relevância na génese e desenvolvimento dessas mesmas formas.

Os Tors são formas de escala intermédia e correspondem a um volume rochoso residual, enraizado, constituída por um empilhamento geométrico de blocos com as arestas desgastadas, resultando principalmente da erosão parcial dos produtos móveis de uma criptodecomposição diferencial, Foto 1.

Tor (Lavadores) Assinatura 4556

Foto 1Tor na praia de Lavadores (Gaia). Estas formas são controladas pelos padrões da fraturação, ou seja, pela sua orientação, densidade e curvatura. A influência do sistema ortogonal da fraturação é responsável pela fisionomia acastelada que lhe está associada. Os blocos que compõem o Tor encontram-se in situo, mantendo a posição relativa existente antes da remoção dos materiais alterados.

Apresentando formas bastante diversas no pormenor, todos eles têm pontos em comum: a influência da alteração esferoidal nos blocos que o constituem, o empilhamento geométrico dos mesmos e o seu enraizamento em relação à superfície em que se encontram, Diaporama 1.

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Diaporama 1 – Os tors podem ser definidos como núcleos de rocha expostos, com forma e tamanho variados, que se encontram sobre um embasamento rochoso, frequentemente localizados em terrenos graníticos, cuja teoria mais apropriada para explicar sua formação e desenvolvimento é a teoria da etchplanação.  A palavra etching é usada em geomorfologia para descrever o processo de decomposição progressiva de rochas no interior de perfis de meteorização profunda, aplicando-se em situações em que o material rochoso difere na sua resistência à decomposição química, condicionado, muitas vezes, pela existência de falhas e fraturas. A remoção do material alterado irá expor a frente de alteração (weathering front), cuja topografia é resultado direto da meteorização química, sendo caracterizada como uma etched surface, onde os processos mecânicos de escoamento pluvial predominam.

No modelo da etchplanação, durante os períodos húmidos ocorreria o aprofundamento e diferenciação do manto de alteração, e no interior deste as consequentes transformações mineralógicas e estruturais, viabilizando o desenvolvimento das morfologias graníticas epigénicas. Enquanto, que nos períodos secos ocorreria a retração da vegetação e consequente a ação dos processos erosivos com maior intensidade, promovendo a remoção do manto de alteração e a exposição dos relevos saprolíticos.

Dessa forma, os tors são caracterizados como fragmentos de rocha não transportados, permanecendo in situ, mantendo assim sua posição relativa existente antes da remoção do manto de alteração, sendo encontrados particularmente, mas não exclusivamente, em relevos com topografia elevadas, tal como sucede junto ao Atlântico na praia de Lavadores.

Este tipo de formas, após a exumação, sofre degradação por parte dos agentes exógenos, podendo evoluir para outro tipo de formas, sejam apenas blocos ou formas do tipo pedras bolideiras ou formas em pedestal. Outras formas de pormenor podem desenvolver-se nos Tors, mesmo mantendo a sua forma, como sejam as pias e as marmitas de gigante.

Fontes consultadas: 

https://www.researchgate.net/publication/332136349_GEOMORFOLOGIA_GRANITICA_DO_MACICO_DE_URUBURETAMA_CEARA_BRASIL

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