Caos de blocos e a evolução poligénica

Com base na análise da génese e morfologia dos blocos graníticos e morfologia granítica observados em saídas de campo em várias partes do mundo o geocientista Juan Ramon Vidal-Romani avançou uma hipótese de evolução poligénica (evolução em duas ou mais etapas) para a sua explicação, Foto 1.

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Foto 1Juan Ramon Vidal-Romani durante uma aula sobre morfologia granítica em  afloramentos na região de Valpaços (Portugal). Pela singularidade morfológica e pelo significado genético, a morfologia granítica tem vindo a ser objecto de diferentes trabalhos, dos quais o geólogo galego Vidal-Romani tem dado destaque à atuação precoce de outros agentes para além dos exógenos (meteorização química e física). Para este geólogo há uma relação direta entre as várias fases da consolidação de um magma riolítico e a definição de um conjunto de características que condicionam o desenvolvimento de determinadas morfologias, ao longo do processo de instalação e após a sua exposição à superfície.

Segundo este geólogo da Universidade de Vigo (Galiza), a presença de um sistema de fraturas ortogonais nos maciços graníticos é uma fator de extrema importância para o desenvolvimento destas formas graníticas. Este sistema de fraturas, composto por dois conjuntos de fraturas sub-verticais, perpendiculares à superfície topográfica, foto 2, e um outro de fraturas sub-horizontais (paralelo à superfície topográfica), devido  sobretudo à expansão por alívio de tensão, que se intersetam formando ângulos retos entre si, conduzem à individualização de blocos paralelepipédicos, delimitados por descontinuidades. É sobre estas descontinuidades que a meteorização química e particularmente os processos de hidrólise vão atuar e progredir, atacando as superfícies angulosas mais fragilizadas  e vulneráveis que as superfícies planas dos blocos. A progressão da meteorização vai conduzir ao arredondamento das formas dos blocos, processando-se a meteorização da periferia para o núcleo.

Surgem desta forma, núcleos residuais de rocha fresca envolvidos por um manto de “areias graníticas”, denunciando a designada meteorização esferoidal, que pode ser observada em Lavadores, Foto 2.

Fraturas esquema

Foto 2 – Génese dos blocos graníticos. Numa primeira fase com a infiltração das águas meteóricas através das descontinuidades (A) ocorrem processos de meteorização química (hidrólise, hidratação e dissolução), que conduzem ao desenvolvimento de mantos de alteração, nos quais vamos encontrar, por um lado, uma matriz de “areias graníticas” friável e, por outro, núcleos residuais da rocha fresca (B). Numa segunda fase (C), por ação dos agentes de erosão subaérea, verifica-se uma exumação dos mantos de alteração, com remobilização das areias graníticas. Os núcleos residuais, de difícil transporte permanecem “in situo” ou acabam por perder a base de sustentação e evoluem, constituindo blocos individualizados.

Os processos envolvidos na formação dos blocos, nomeadamente da alteração e de erosão, apresentam diferentes dinâmicas, condicionadas por fatores de vária ordem (climática, estrutural, etc…), que conduzem a evoluções diferenciadas, do substrato granítico alterado, Foto 3.

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Foto 3 – Quando a evacuação das areias graníticas (A) se processa a uma velocidade superior à da sua meteorização, é possível aos núcleos residuais uma exposição subaérea e individualização como blocos, por vezes de grandes dimensões (B). Os caos de blocos constituem uma morfologia de escala intermédia ou variável são muito frequentes em áreas graníticas, onde os blocos constituem núcleos de rocha sã não decompostos pelos processos de meteorização (A). A formação está na dependência da existência de uma rede de fraturação ortogonal que fragmenta a rocha granítica (B) e cria linhas preferênciais da progressão da meteorização química, promovendo a sua decomposição e a produção de um manto de alteração. Parece existir uma relação entre o desenvolvimento deste tipo de modelado, onde proliferam os blocos graníticos porfiróides. Meteorização esferóidal no granito de Lavadores (C).   

Numa situação inversa à anterior, caracterizada por uma meteorização mais rápida e ativa que a evacuação, verifica-se uma meteorização mais profunda da massa granítica sendo os núcleos residuais reduzidos a um agregado arenoso.

A aplicação deste esquema teórico à génese e evolução das macroformas e microformas graníticas (modelado granítico) não deve, porém ser feito de uma forma generalizada, uma vez que vários aspetos evolutivos, bem como a atuação de determinados processos localizados, vão condicionar o desenvolvimento de formas, pelo que a análise da génese e evolução deve ter em atenção o contexto geológico da área em estudo.

Para saber mais (Biologia e Geologia 11º)

Meteorização química 

Meteorização Física (mecânica) 

 

Referências:

https://www.researchgate.net/profile/Juan_Ramon_Vidal-Romani

 

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