Maciço dos Hospitais e Tonalitos

A Zona de Ossa-Morena

A Zona de Ossa-Morena é a segunda maior unidade geológica do Maciço Ibérico (sendo a ZCI a maior), ficando entre as zonas Centro-Ibérica, a nordeste, e Sul-Portuguesa, a sudoeste. É uma unidade muito complexa e que tem suscitado polémica relativamente à definição dos seus limites e das suas subdivisões principais, ao estabelecimento de correlações estratigráficas, à interpretação do significado geodinâmico de algumas unidades e ao reconhecimento, ou negação, da existência de testemunhas de um ciclo orogénico pré-varisco, foto 1.

Mapa 1

Foto 1 –A evolução geodinâmica da ZOM pode ser separada em dois grandes ciclos: ciclo precâmbrico e ciclo paleozóico. O Precâmbrico pode ser subdividido em duas fases distintas, uma pré-orogénica e outra sin-orogénica. No ciclo do Paleozóico, por sua vez, podem ser consideradas uma fase de “rifting” intracontinental (Câmbrico), uma fase de margem continental passiva (Ordovícico – Devónico) e uma fase sin-orogénica varisca (essencialmente, ao longo do Carbónico). Tanto no contacto com a ZCI, no limite norte, como com a ZSP, a sul, foram  encontradas evidências da presença de zonas de sutura, testemunhando o fecho de antigos oceanos.

Domínios da Zona de Ossa-Morena

A Zona de Ossa Morena é bastante mais complexa que zonas contíguas do Maciço Ibérico, possuindo uma grande heterogeneidade paleogeográfica, metamórfica e tectónica. Foi, por isso, compartimentada em diversos sectores com características tectonoestratigráficas distintas. Com base nos trabalhos geológicos, Foto 2,  apresenta a seguinte divisão para ZOM:

  • Domínio da Faixa Blastomilonítica;
  • Domínio de Alter do Chão – Elvas;
  • Domínio de Estremoz – Barrancos;
  • Domínio de Évora – Beja;
  • Complexo Ofiolítico de Beja – Acebuches.

Évora mapa.jpg

Foto 2 – Diferentes domínios da ZOM.  O Domínio de Évora-Beja distingue-se dos restantes pela grande abundância de maciços plutónicos variscos. Estes corpos ígneos são de composição essencialmente granitóide, no Maciço de Évora, e básica, no Maciço de Beja. Neste domínio, podem encontrar-se os afloramentos mais contínuos do Proterozóico e Paleozóico inferior, nos quais ficaram registadas duas fases de deformação varisca. Para sudoeste, observa-se com importância progressivamente maior uma fase de deformação precoce, acompanhada de um evento metamórfico de alta pressão, relacionado com a instalação do Complexo Ofiolítico de Beja – Acebuches. O tipo de metamorfismo é geralmente de baixo grau, embora ocorram alguns complexos com características de baixa pressão – alta temperatura, com graus metamórficos médio a alto.

Magmatismo

A ZOM, sendo uma unidade tectono-estratigráfica independente, tem características de magmatismo distintas das zonas envolventes. O plutonismo difere do da ZCI pela relativa abundância de intrusões básicas e intermédias, pela menor dimensão das intrusões e pelo intervalo alargado de tempo em que ocorreu magmatismo, do Neoproterozóico ao Pérmico superior.

Esta atividade magmática extensa foi dividida em três episódios principais, relacionados com os ciclos tectónicos do Neoproterozóico e do Paleozóico. Assim, podem classificar-se os episódios magmáticos como pré-variscos, variscos e pós-variscos.

Magmatismo varisco

Na parte espanhola da ZOM, o magmatismo varisco mais bem conhecido encontra-se representado por um conjunto de plutões nas unidades do Anticlinal de Olivença e na faixa metamórfica de Aracena.

Em Portugal, o magmatismo varisco da ZOM aflora em três grandes zonas: Maciço de Beja, Maciço de Évora e Maciço do Nordeste Alentejano.   Tanto no Maciço de Évora (ME) como no Maciço do Nordeste Alentejano, o magmatismo varisco está representado por um grande número de plutões de granitóides sin e tardi a pós-cinemáticos.

O Maciço de  Évora é composto por uma grande variedade de maciços plutónicos implantados no Carbónico inferior. Predominam os tonalitos e granodioritos, os quais são frequentemente acompanhados por granitos, mas também se regista a presença de corpos gabro-dioríticos. Este último aspeto sugere uma participação mantélica na génese do plutonismo. A associação de granitóides com rochas de proveniência mantélica pode significar um período de extensão crustal. A maioria destes plutões foi afetada pela segunda fase de deformação varisca, como é o caso dos maciços de Évora – S. Manços, Divor, S. Miguel e Redondo e, consequentemente, apresentam “gnaissosidade”.

Maciço dos Hospitais

Nas proximidades de Montemor-o-Novo, ocorre um conjunto de afloramentos tonalíticos, sendo o mais importante o de Hospitais. Estes tonalitos ter-se-ão instalado entre as duas fases principais de dobramento varisco. O Maciço de Hospitais é um corpo plutónico elíptico, orientado na direção WNW – ESE. É intrusivo no complexo gnaisso-migmatítico, apresentando uma foliação moderada coplanar com os gnaisses e migmatitos envolventes, devido a uma cristalização sin-tectónica, Foto 3.

Évora mapa 1

Foto 3 – Maciço de Évora e a localização do Maciço de Hospitais,  constituído essencialmente por tonalitos, embora pareça estar geneticamente relacionado, quer com rochas gabróicas, quer com rochas mais ácidas, aflorantes em zonas próximas.

Corresponde a um corpo ígneo tonalítico homogéneo.

Frequentemente é possível observar uma foliação (WNW-ESE, pendente para NE ou subvertical) marcada pelo alinhamento de minerais máficos (biotite e anfíbola) e de encraves dioríticos.

O Maciço dos Hospitais, Foto 3, relaciona-se geneticamente com pequenas intrusões gabróicas, localizadas entre Évora e Montemor-o-Novo, através de processos de diferenciação e cristalização fracionada a partir de magmas básicos calco-alcalinos, que evoluem para líquidos magmáticos intermédios com composições tonalíticas. No entanto, também é considerada a hipótese de um contributo crustal, embora limitado, na evolução dos magmas básicos para magmas intermédios, Foto 4.

Tonalito - esquema (Montemor-o-Novo)

Foto 4Tonalito e a classificação de Albert Streckeisen. No esquema proposto, a representação do modo utiliza os diagramas triangulares. Os três componentes definidores de um destes diagramas podem corresponder à totalidade de um sistema definido a três componentes ou a parte de um outro, mais complexo que necessita então de adequada representação gráfica, diferente desta. Q – engloba o quartzo e outros polimorfos de sílica eventualmente presentes; A – reúne todos os feldspatos alcalinos presentes na rocha (ortóclase, microclina, albite, sanidina, ortóclase e pertites); P – reúne todas as plagióclases com exceção da albite, isto é, as sódico-cálcicas, as calco-sódicas e a cálcicas (oligóclase, andesina, labradorite, bytownite e anortite). O Tonalito é um plutonito essencialmente feldspático com plagioclase calco-sódica, biotite, horneblenda e algum quartzo.

Mesoscopicamente, o tonalito do Maciço dos Hospitais apresenta anisotropia forte marcada pela alternância de bandas predominantemente félsicas com bandas máficas (com cerca de 2 – 5 mm de espessura) e pela orientação preferencial dos cristais subédricos de plagioclase. A textura é equigranular, sendo a dimensão típica dos grãos minerais de 2 a 3 mm. Os minerais primários mais abundantes são a plagioclase (por vezes, intensamente sericitizada ou saussuritizada), o quartzo, a horneblenda verde – castanha e a biotite (tipicamente, muito alterada), Foto 5.

Maciço dos Hospitais

Foto 5 – Fotos do Tonalito do Maciços dos Hospitais em Montemor-o-Novo. Este Maciço dos Hospitais, situado perto de Montemor-o-Novo, corresponde a um corpo plutónico elíptico com cerca de 13 km de comprimento e 7 km de largura, alongado segundo a direção WNW-ESE e concordante com a orientação regional das estruturas variscas.

O Maciço de  Évora é composto por uma grande variedade de maciços plutónicos implantados no Carbónico inferior como é o caso do Maciço dos Hospitais. Predominam os tonalitos e granodioritos, os quais são frequentemente acompanhados por granitos, mas também se regista a presença de corpos gabro-dioríticos. Este último aspeto sugere uma participação mantélica na génese do plutonismo.

Fontes consultadas:

ARAÚJO, A. (1995) – Estrutura de uma Geotransversal entre Brinches e Mourão (Zona de Ossa Morena): Implicações na Evolução Geodinâmica da Margem Sudoeste do Terreno Autóctone Ibérico. Tese de Doutoramento, Universidade de Évora.

Moita P. 2007. Granitóides no SW da Zona de Ossa Morena (Montemor-o-Novo –
Évora): Petrogénese e Processos Geodinâmicos. Tese de Doutoramento, Universidade
de Évora.

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