Liditos e radiolários

Foi descrita na região de Lydia, na Ásia Menor localizada atualmente na Turquia. É um cherte negro e corresponde a um radiolarito certificado (por vezes já transformado em microquartzito  com impregnações de matéria carbonosa, Foto 1.

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Foto 1Lidito da Formação de Mosteiros (Série Negra) . O Proterozóico Superior tem características muito constantes ao longo de toda a ZOM, é caracterizado por uma sequência onde predominam micaxistos frequentemente biotíticos com intercalações de metachertes e quartzitos negros, alguns grauvaques e anfibolitos e raras intercalações de rochas carbonatadas. Este conjunto, classicamente designado por Série Negra, toma várias designações locais ao longo da ZOM (Formação de Mosteiros, de Mares, de Aguas de Peixe). A Série Negra passa superiormente às sequências do Câmbrico Inferior datadas com fósseis em Espanha e as idades radiográficas apontam para que tenha uma idade vendiana, provável.

Chertes (entre liditos, ftanitos e nódulos de sílex)

Maior parte da sílica dissolvida na água do mar tem origem na alteração das rochas, em particular na hidrólise dos silicatos. Outra fonte de sílica, menos importantes, são a alteração submarina de basaltos e rochas afins, a dissolução de cinzas e de outros piroclastos ácidos acumulados no meio meio marinho ou lacustre, e, ainda , as fontes hidrotermais submarinas, abundantes zonas coincidentes com regiões de elevado gradiente geotérmico e ao longo das cristas médias oceânicas (dorsais), fontes estas que ejectam fluidos ricos em sílica.

Podem ser distinguidos dois conjuntos litológicos com base no modo de ocorrência.

Por um lado há chertes que ocorrem sob a forma de estratos, conhecidos pela expressão bedded cherts e, por outro, os limitados a acidentes descontínuos, sob a forma de concreções ou nódulos, no seio de outras rochas, divulgadas como nodule chert. Os primeiros incluem, entre os mais comuns, o jaspe, o lidito e os ftanitos, sendo os segundos representados pelo sílex ou flint.

Os chertes estratiformes e os chertes nódulares têm características próprias e enquadramentos litológicos, estratigráficos e tectónicos distintos.

Por um lado há chertes que ocorrem sob a forma de estratos, conhecidos pela expressão bedded cherts e, por outro, os limitados a acidentes descontínuos, sob a forma de concreções ou nódulos, no seio de outras rochas, divulgadas como nodule chert. Os primeiros incluem, entre os mais comuns, o jaspe, o lidito e os ftanitos, sendo os segundos representados pelo sílex ou flint.

Foto 2 – Geomonumento do Rio Seco (Lisboa). No início do Cretácico Superior o nível global dos oceanos subiu (transgressão) e o mar invadiu grande parte das terras emersas. A atual região de Lisboa não escapou a este fenómeno à escala planetária. Era um mar pouco profundo, de águas quentes e límpidas, propícias à proliferação de organismos produtores de esqueleto (conchas) de natureza calcária. Durante a diagénese dos sedimentos transportados para este mar epicontinental acumularam-se fluidos silicatados que cristalizaram e originaram os nódulos de sílica.

Os chertes estratiformes e os chertes nódulares têm características próprias e enquadramentos litológicos, estratigráficos e tectónicos distintos.

Os chertes estratiformes indicam, no geral, fácies marinha de águas profundas, havendo também de fácies nerítica. Associados a outras rochas estratificadas (calcários pelágicos, argilitos e grauvaques) ocorrem, muitas vezes, acamados ritmicamente em leitos finos. Algumas sequências estratificadas podem ultrapassar várias centenas de metros de desenvolvimento na vertical, em margens tectonicamente ativas, associadas a turbiditos, melanges e ofiólitos, o que confirma o ambiente sedimentar de mar profundo, não longe da margem continental. Entre os chertes estratiformes distinguem-se o cherte radiolarítico, o cherte diatomítico e o cherte  espiculítico ou espongólio.  Os primeiros habitualmente designados por radiolaritos, são comuns no Fanerozóico, desde o Paleozoico inferior.

Os radiolaritos representam a grande maioria dos chertes estratiformes de fácies pelágica. Nos radiolaritos antemesozoicos, os esqueletos desapareceram, ficando os respectivos espaços substituídos por quartzo microcristalino.  Os mais conhecidos radiolaritos datam do Paleozoico e assumem aspectos diversos, sobretudo em função da cor que os caracterizamas também de outros aspectos como a textura, estrutura e associação com outras litologias. Estão neste caso o jaspe, lidito, o ftanito e o novaculito.

Falando de radiolários…

Radiolários são protistas planctónicos com ampla distribuição espacial e temporal (entre bacias oceânicas e através do tempo geológico). O corpo protoplasmático pode ser dividido em endoplasma e ectoplasma, sendo que o primeiro desempenha principalmente funções reprodutivas e o segundo desempenha funções na manutenção da posição do organismo na coluna da água, digestão e respiração. Endoplasma e ectoplasma são separados pela membrana capsular, característica que diferencia os radiolários dos demais protistas. Os seus esqueletos são compostos por sílica amorfa, o que permite sua preservação em sedimentos marinhos depositados abaixo da zona de compensação da calcite (CCD – Calcite Compensation Depth). Estas características permitem a aplicação do grupo na resolução de diversos problemas geológicos, como, por exemplo, na paleobiogeografia, reconstituições paleogeográficas de áreas tectonicamente complexas, bioestratigrafia e paleoceanografia/paleoclimatologia.

As áreas de maior abundância de radiolários, geralmente estão associadas a zonas oceânicas de ressurgência – upwelling zones – ricas em nutrientes. A distribuição geográfica dos radiolários apresenta, em geral, as mesmas relações que outros organismos planctónicos, evidenciando principalmente padrões de correntes oceânicas. Como diversos organismos marinhos, os radiolários atingem sua máxima diversidade em águas tropicais, enquanto as massas de águas frias, de latitudes mais elevadas, são caracterizadas por grande abundância e baixa diversidade de formas. No registo geológico observou-se uma mudança no habitat preferencial dos radiolários, de plataformas carbonatadas rasas no Paleozoico para o exclusivo domínio oceânico na atualidade, Figura 1.

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Figura 1 – Aproximadamente 10% do volume de sílica de origem biogénica acumulada em sedimentos marinhos de fundo são representados por radiolários, sendo o restante, composto por diatomáceas e espículas de esponjas. Os radiolários distribuem-se através da coluna da água desde a superfície até aproximadamente 5000 m de profundidade, ocorrendo em maior abundância entre 50 e 100 m de profundidade. Historicamente, a abundância de radiolários foi associada a eventos vulcânicos, que seriam responsáveis por saturar a água do mar em sílica, porém, esta relação é considerada, hoje, incorreta, sendo a abundância de radiolários aparentemente relacionada com a alta disponibilidade de nutrientes. É possível, entretanto, que um aumento no vulcanismo torne a água menos pobre em sílica, intensificando a preservação da sílica amorfa. Os Radiolários estão, muitas vezes, associados a depósitos ricos em matéria orgânica, sendo que ambos necessitam de alta produtividade biótica superficial para sua formação.

Lidito

É um cherte radiolarítico, com textura microquartzítica e cor negra, devido a inclusões de substâncias carbonosas, grafite e, muitas vezes pirite. O lidito ocorre em Portugal no Silúrico inferior da ZCI, da ZOM e no seio das formações sedimentares metamorfizadas do Pré-câmbrico superior do Alentejo conhecidas por Série Negra,  Foto 3.

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Foto 3 – Lidito da Série Negra, de que fazem parte outras rochas (calcários, grauvaques, conglomerados, gnaisses, anfibolitos). É uma importante unidade estratigráfica da Zona de Ossa-Morena, ocupando vastas áreas do Alentejo e na região de Tomar-Abrantes. Esta unidade estratigráfica apresenta os metaliditos.

Ftanito

Ftanito (do grego phtano, que anuncia) é assim chamado uma vez que anuncia a passagem aos xistos. De cor acinzentada entre o claro e o escuro, em virtude da presença de menor ou maior quantidade de matéria carbonosa, é essencialmente formado por quartzo microcristalino. O ftanito conserva vestígios de radiolários, sendo comum nas séries pré-câmbricas e do paleozoicas, em leitos centimétricos alternantes com xistos amplitosos. Os ftanitos são rochas frequentes no Maciço Antigo Ibérico, sobretudo integrados em terrenos de idade silúrica, Foto 4.

Nódulo Ftanítico

Foto 4 -Xistos do Silúrico, com nódulo ftanítico – Anclinal de Valongo (Arouca). Ftanito é uma rocha sedimentar, siliciosa, de origem orgânica, formada pela acumulação de esqueletos de radiolários, diatomáceas, etc).

Jaspe

O jaspe (do grego iaspis), varia entre o vermelho forte, o castanho e o amarelado, devido à presença significativa de óxido e/ou hidróxido de ferro. Em Portugal o jaspe ocorre associado às formações vulcano-sedimentares do Devónico superior – Carbónico inferior da Faixa Piritosa Alentejana (Grândola, Cercal, Aljustrel, Castro Verde, São Domingos), Foto 5.

Jaspe

Foto  5 – Jaspe do Complexo Vulcano-sedimentar da Faixa Piritosa Ibérica. A Faixa Piritosa Ibérica situa-se a Sul do Terreno do Pulo do Lobo e estende-se ao longo de 250 km, desde Alcácer do Sal até Sevilha. Apresenta uma largura que varia entre os 25 km e os 70 km, hospedando uma das maiores concentrações mundiais de sulfuretos maciços. Em termos lito-estratigráficos, a FPI compreende três unidades fundamentais, do topo para a base:  Grupo Filito-Quartzítico (GFQ), o Complexo Vulcano-Sedimentar (CVS) e o “Culm”. As lentículas de jaspe ocorrem, preferencialmente, associadas aos xistos “Borra de Vinho” e às rochas meta-vulcanoclásticas félsicas. Possuem cor vermelha e, por vezes, em alguns domínios, cor negra. Grande parte dos jaspes apresenta textura brechóide ou pseudo-brechóide, sendo cortados por redes densas e anastomosados veios de quartzo hidrotermal.

O jaspe é ainda, frequente sob a forma de seixos nas praias algarvias.

Chertes Nodulares 

Ao contrário dos chertes estratiformes, este outro tipo de silicitos coeso está asscociado a sequências sedimentares em áreas cratónicas. Ocorrem principalmente em rochas carbonatadas de todas as idades, mas também menos frequentemente, em argilitos, xistos e arenitos. Alguns autores referem-nos como acidentes posteriores à sedimentação, que dão origem a concreções e nódulo. Tais acidentes correspondem a segregações secundárias, essencialmente diagenéticas, mas também em parte, a substituições metassomáticas. A sílica deste tipo de  silicitos ocorre desde nucleos chérticos de dimensões minímas, a concreções com alguns metros de diâmetro, Foto 6.

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Foto 6 – A formação carixiana (Jurássico inferior) Calcários dolomíticos com nódulos de sílex de Belixe aflora em arribas de aproximadamente 50 m de altura. Este tipo de afloramento fossilífero só existe, em todo o Algarve, nesta praia, no forte do Belixe e na extremidade do Cabo de S. Vicente. Os sedimentos siliciosos desta formação ocorrem sob duas formas: nódulos ou camadas com espessura média de 4 cm, interestratificadas com os calcários.

Chérticos são os nódulos siliciosos também conhecidos por nódulos cerebróides e, localmente, por cerebelos, do Bajociano dos Maciços Calcários Estremenho e de Sicó, constituindo um ótimo marcador estratigráfico, Foto 7.

Foto 7 – Com um brilho de porcelana não vitrificada, em fratura fresca, lembram vagamente, na forma e no aspecto exterior, uma massa encafálica, encontrando-se dispersos à superfície do terreno, após a desagregação do calcário onde se encontram incluídos. Estas rochas são resultantes da substituição de carbonatos da rocha sedimentar já existente por cristais de calcedónia, oriundos da circulação de fluidos ricos em sílica e dando origem aos nódulos de cherte (do inglês silex). A unidade Zambujal, Jurássico Médio (Aaleniano inferior – Bajociano inferior)  é formada fundamentalmente por calcários com alguma proporção de material quartzoso e argiloso. Os nódulos de sílica aparecem nos últimos 20 m da série, constituindo por isso um nível estratigráfico de referência.

Um outro tipo de nódulos siliciosos, de forma ovoidal, ocorrente nos xistos do Silúrico médio, que com base neles, individulaizam uma unidade litostratigráfica a que se deu o nome de “Xistos com nódulos”, Foto 8.

Xisto com Nódulos (Esquema)

Foto 8 –  Xisto com nódulos de idade Silúrica, Estremoz. A Formação dos Xistos com Nódulos é constituída por liditos, em bancadinhas milimétricas a centimétricas, na parte inferior, e pelitos negros siliciosos com raros leitos de liditos dispersos, na parte superior. É bastante rica em fósseis de graptólitos.

A região de Barrancos assume assinalável importância geológica, por apresentar uma das sucessões estratigráficas mais completas e melhor expostas do Paleozoico de Portugal. Enquadra-se na parte mais sudeste do Sector de Estremoz-Barrancos, que constitui uma das grandes divisões da Zona de Ossa Morena, em Portugal. A sequência do Paleozoico de Barrancos inclui as Formações de Ossa, Fatuquedo, Barrancos, Xistos com Phyllodocites, Colorada, “Xistos com Nódulos”, “Xistos Raiados”, Monte das Russianas e Terena, com idades compreendidas entre o Câmbrico Médio-Superior e o Devónico Inferior. A Formação dos Xistos com Nódulos , os quartzitos do topo da Formação de Colorada e os níveis basais da Formação dos Xistos Raiados, representam os terrenos do Silúrico, na região de Barrancos.

Em jeito de resumo

Os chertes podem ter origem por precipitação química (origem singenética) onde a sílica colóidal precipita num meio ácido, bioquímica (singenética) em resultado da acumulação de carapaças siliciosas de diatomáceas e radiolários e uma origem pós-deposicional resultante de processos de silicificação num processo designado por metassomatismo diagenético (migração de fluidos). Neste último exemplo exemplo ocorre dissolução do quartzo detrítico em meio alcalino ocorrendo a sua precipitação na forma de sílica colóidal em meio ácido.

Resumo para Geologia 11º ano

 

Fontes consultadas:

Armstrong H., Brasier M. 2005. Microfossils. Oxford: Blackwell Publishing. 296 pp.

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http://sopasdepedra.blogspot.com/search?q=Jaspe

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