Genética e Neodarwinismo

Os mecanismos que operam nos organismos vivos refletem uma eficaz adaptação ao ambiente, que se vai traduzindo numa complexidade estrutural e funcional cada vez maior ao longo dos diferentes reinos dos seres vivos.

Um gene é um segmento de DNA que contém a informação necessária para levar à síntese de uma proteína (cadeia polipeptídica) ou de um RNA funcional. A informação contida no genoma de um organismo só se torna evidente após uma série de reações bioquímicas que leva à expressão dos genes. O primeiro passo deste processo complexo é a síntese de uma copia RNA, utilizando como modelo uma das cadeias de DNA dos genes. Esta etapa da expressão génica denomina-se transcrição e o seu produto (mRNA).

Ovo

Galeria da Biodiversidade (Porto) – Biodiversidade do ovo. Tudo se inicia com o ovo, célula que contém toda a informação genética do novo indivíduo. Desde a primeira divisão do ovo, ocorre um conjunto de processos que culminam com a maturidade do organismo, cujos sistemas de órgãos estão totalmente formados e funcionais.

A maioria dos genes codifica moléculas proteicas e os RNAs intermédios que lhes dão origem chamam-se RNAs mensageiros (mRNAs), que no seu conjunto constituem o transcritoma de um organismo. Além dos mRNAs existem outros RNAs que nunca são traduzidos em cadeias polipeptídicas. Por exemplo, os RNAs de transferência (tRNAs), que constituem cerca de 80% do RNA total celular e um vasto conjunto de pequenos RNAs.Durante a formação do RNA, a linguagem do DNA, constituída pelas quatro bases Adenina (A). Guanina (G), Citosina (C) e Timina (T) é copiada ou transcrita para a linguagem do RNA, idêntica à do DNA, mas com o uracilo em vez de timina. Posteriormente esta linguagem do RNA é traduzida (a tradução é a segunda etapa da expressão génica) nos ribossomas, na linguagem das proteínas, constituída por 20 aminoácidos.

Ao contrário do DNA que é, geralmente, em hélice dupla, a maioria dos RNAs é uma cadeia simples, tem grande flexibilidade e pode exibir uma grande variedade de conformações formando estruturas com forma definida adequadas às suas funções específicas nas células.

Gregor Mendel não tinha conhecimento da mitose, meiose, cromossomas, DNA, genes…

Porém, sabia que cada progenitor era portador de gâmetas que possuíam informações hereditárias para os diferentes caracteres. Designou como fator a informação hereditária responsável pelo aparecimento de cada caráter. Deste modo os indivíduos resultantes do cruzamento parental seriam portadores um fator de origem materna e outro de origem paterna.

Gene, cromossoma, mitose, gametogénese são alguns conceitos que permitiram ao longo do século XX reinterpretar, com nova linguagem, as ideias e os princípios de Mendel. Os fatores considerados por Mendel responsáveis pela transmissão das características hereditárias correspondem aos genes. Estes podem apresentar formas alternativas responsáveis pelos caracteres contrastantes. Tais formas alternativas de um mesmo gene, como, por exemplo, as que determinam a cor da ervilha, são chamadas alelos. A zona de um cromossoma onde se situa um gene designa-se por locus. Este corresponde, portanto, à localização física do gene. Os dois alelos que controlam um determinado carácter estão localizados em locus correspondentes dos dois cromossomas homólogos. Por essa razão, os genes estão presentes aos pares no genótipo dos indivíduos. O termo genótipo é assim utilizado para designar a constituição genética de um indivíduo em relação a determinada característica.

Aos caracteres que um indivíduo manifesta resultantes do seu genótipo, foi atribuído o termo fenótipo. Este corresponde, pois, ao modo como o genótipo de expressa.
Tudo se passa como se cada indivíduo tivesse um “livro de instruções” que asseguram um determinado padrão, embora permitam variações à volta desse padrão (genótipo). Esse “livro de instruções” é o património genético do indivíduo e corresponde ao seu genoma. De geração em geração e através dos gâmetas, esse património genético passa de progenitores para descendentes. O desenvolvimento da genética permitiu ampliar o conceito de evolução de Darwin. O neodarwinismo explica a causa da diversidade dos seres vivos, surgindo esta nas frequências genéticas, isto é, no fundo genético das populações (o fundo genético corresponde ao conjunto de todos os alelos/genes que fazem parte dessa população). A evolução é, assim, devida a alterações das suas características genéticas, sendo a população a unidade evolutiva, pois é sobre os indivíduos das populações (fenótipo) que se fazem sentir os agentes evolutivos. O neodarwinismo, sendo uma teoria contemporânea da Genética, explica a evolução baseando-se na genética. Deste modo, fenótipo, genótipo, fundo genético, genes são termos utilizados por estes evolucionistas para explicarem a biodiversidade.

 

Estuário do Douro

Nas últimas semanas de janeiro de 2020 o rio Douro apareceu com um tom fortemente castanho. Esta cor está relacionada com os materiais sólidos acumulados nas albufeiras da bacia hidrográfica. Habitualmente as barragens não efetuam descargas sucessivas de água, pelo que os materiais sólidos são acumulados nas albufeiras e assim não se tornam visíveis nas povoações mais a jusante do Douro, Foto 1.

Rio Douro AS1

Foto 1 -Na maior parte dos estuários existe uma zona onde os sedimentos finos em suspensão estão muito concentrados – o corpo lodoso). Este núcleo de sedimentos vasosos em suspensão resulta da floculação das argilas em contacto com as águas salinas que circulam para montante ou para jusante de acordo com as marés.

O rio Douro nasce na serra de Urbion (Cordilheira Ibérica), a cerca de 1.700 m de altitude. Ao longo do seu curso de 927 km (o terceiro maior entre os rios da Península Ibérica, depois do Tejo e do Ebro) até à foz no Oceano Atlântico, junto à cidade do Porto, atravessa o território espanhol numa extensão de 597 km e serve de fronteira ao longo de 122 km, sendo os últimos 208 km percorridos em Portugal. A bacia hidrográfica do rio Douro tem uma área total de 97.603 km2 , dos quais 18.643 km2 em Portugal (19% do total) e 78.960 km2 em Espanha (81%), ocupando o primeiro lugar em área entre as bacias dos maiores rios peninsulares. O rio Douro é o único rio português que conserva, até à foz, as suas escarpadas vertentes de canhão, sem que, ao contrário dos outros rios portugueses, forme um estuário amplo e pouco profundo quando chega ao litoral, Foto 2.

Rio Douro AS

Foto 2 -O Rio Douro drena a maior bacia hidrográfica da Península Ibérica. Os 97 600 Km2 de bacia cobrem cerca de 17 % da Península, dos quais 20 % em Portugal e 80 % em Espanha. O rio desagua no Oceano Atlântico, entre as cidades de Porto e Vila Nova de Gaia. Na bacia do Rio Douro existem mais de 50 grandes aproveitamentos hidroeléctricos dispostos ao longo do seu curso principal e efluentes, o último dos quais situa-se a 21,6 km da barra (Crestuma-Lever), tendo entrado em funcionamento em 1985.

Geoconversando sobre o Rio Douro

A topografia de uma região, o clima e a força da gravidade, são as principais condicionantes do trajeto dos cursos de água. Eles tendem sempre a partir da montanha atingir o mar ou um lago interior.

O Norte de Portugal estrutura-se no Maciço Ibérico (MI), uma unidade morfo-tectónica da Península Ibérica caracterizada por rochas metassedimentares  proterozoicas e paleozoicas e abundantes granitoides afetados pela orogenia Varisca e Alpina. O Maciço Ibérico ocupa o setor centro-ocidental da Península Ibérica, constituindo o seu núcleo mais antigo e rígido. Desde a orogenia varisca tem sofrido erosão, gerando, em setores como o NE de Portugal, um relevo pouco  acentuado, designada por Meseta. A desnudação envolveu uma sucessão de ciclos de erosão e meteorização, que deram origem a superfícies de aplanamento e níveis embutidos. Devido às diferenças de resistência à meteorização e erosão do soco varisco, desenvolveu-se no MI um relevo do tipo apalachiano, caracterizado por cristas quartzíticas com orientação NW-SE, que se destacam das amplas superfícies desenvolvidas em granitoides, xistos e metagrauvaques. Durante o Cenozoico desenvolveram-se sobre o Maciço  Ibérico drenagens fluviais, quer para ocidente quer para oriente (Bacia do Douro) e das quais é possível observar testemunhos que permitem a reconstituição da evolução dos modelos aluviais. No Plistocénico, a rede hidrográfica desenvolveu um progressivo encaixe, particularmente profundo no vale do Douro. Durante esta etapa de incisão a evolução dos vales fluviais foi controlado pelos fatores tectónicos, litológicos, eustáticos e climáticos.

Estuário do Douro

Nas margens do estuário desenvolveram-se três concelhos ribeirinhos (Porto, Vila Nova de Gaia e Gondomar), que exercem uma grande pressão antropogénica sobre o ecossistema. Para além de recetor de efluentes tratados e não tratados, o estuário é também utilizado para actividades de lazer (banhos, pesca desportiva, desportos náuticos, etc.) e fins comerciais (pesca profissional, navegação fluvial de turismo, extracção de inertes e navegação entre rio e mar).

O estuário situa-se entre a barra e a barragem de Crestuma-Lever, onde o rio corre num vale encaixado e somente a 2,9 km da barra ocorre o alargamento das margens, atingindo a largura máxima de 1300 m. Com cerca de 22 km de comprimento apresenta uma propagação da maré limitada a montante pela barragem de Crestuma. A penetração salina depende do facto de o caudal do rio não ser contínuo, só sendo atingida a barragem em condições de caudal excecionalmente baixo, ou nulo, e perante marés de elevada amplitude. Descargas elevadas (superiores a 690 m3/s) fazem com que o estuário seja integralmente composto por água doce, independentemente da maré.

As águas do Douro provocam a erosão das margens escarpadas e por vezes urbanizadas que atravessam, e arrastam aluviões que se vão depositar ao longo da costa, ajudando a formar as praias arenosas. A construção de barragens reduziu o fornecimento sedimentar para a costa, estimando-se que atualmente as barragens sejam responsáveis pela retenção de mais de 80% dos volumes de areias. Esta redução associa-se não só ao efeito de retenção sedimentar nas albufeiras, mas também à regularização das velocidades, resultante da atenuação das cheias.

As duas forças essenciais em ação nos estuários são as correntes fluvial e das marés. A importância da corrente fluvial depende, como é evidente, do seu caudal e da sua velocidade. Esta corrente é contrariada pela força da maré enchente. De forma oposta, a maré de vazante vai potenciar a força da corrente. No máximo da maré alta, o nível do mar é mais elevado que o nível da água no rio. Daí a penetração da água do mar ao longo do rio, ou enchente (com formação de uma cunha salina). Pelo contrário, no máximo de maré baixa, o nível da água é bastante mais alto no rio que no mar, porque à água do rio se juntou a água marinha que nele penetrou durante a enchente, originando uma descarga, durante a vazante, que pode atingir velocidades elevadas.

As cheias no estuário do Douro

Quer durante a maré baixa quer durante a maré alta não há corrente alguma e a água está praticamente parada. Este facto tem importantes consequências em termos de sedimentação, já que a ausência de corrente durante a maré alta vai produzir a deposição de sedimentos transportados em suspensão ou resultantes da floculação de argilas em contacto com as águas marinhas ricas em iões. Se numa situação de cheia coincidirem marés altas vivas e uma sobre-elevação meteorológica do tipo storm surge, o rio não consegue escoar a água que transporta. Esta vai-se acumulando, fazendo subir o respetivo nível no estuário, originando cheias. Esse fenómeno pode ser particularmente intenso em rios que se mantenham encaixados até perto da foz, porque num vale estreito a cheia tem tendência a subir mais rapidamente, como é o caso do rio Douro.

Cabedelo – entre o estuário e o atlântico

A restinga é uma grande formação arenosa que separa o estuário do Douro do oceano, situada na margem Esquerda (a Sul) do estuário do rio Douro e que se formou por ação das correntes litorais, Foto 3.

Cabedelo

Foto 3 – Vista do Cabedelo a partir da Praia de Lavadores (Gaia). A construção dos molhes do Douro, produziu efeitos na hidrodinâmica do rio Douro, na evolução da sua restinga, designada Cabedelo, que no curto prazo diminuiu os efeitos das cheias no rio Douro e melhorou a navegabilidade da sua Barra.

Para além das variações cíclicas, sazonais de área, volume e forma, fruto dos elevados caudais fluviais, da ondulação e da ação do vento, a restinga sofreu alterações de longo prazo, com uma tendência clara para o recuo da restinga para montante do Rio Douro. Desde meados do séc. XX que era notório um progressivo recuo do Cabedelo para o interior do estuário, motivado pela diminuição da frequência e intensidade das cheias do  rio, pela diminuição do transporte de sedimentos e pela extração de areia no estuário. Este fenómeno levanta problemas de segurança para as populações ribeirinhas de Gaia e Porto, já que o Cabedelo as defende das investidas do mar durante as tempestades. A total destruição, por ação do Homem, da flora que fixava as dunas do Cabedelo contribuiu, também, para a sua instabilidade. Desde a construção do molhe Norte do Porto de Leixões (1960), diminuiu o transporte de areia ao longo da costa, de Norte para Sul. Por sua vez, com a construção em 1980 sucessivas barragens, tendo sido a última barragem do Douro (Crestuma/Lever) construída nos anos 80, a alimentação do Cabedelo com as areias transportadas pelo rio diminuiu drasticamente Por ação do homem, com a construção dos molhes na foz do rio Douro (2004-2009) a restinga deixou de sofrer tantas variações, tornando mais estável a sua forma, tendo vindo a gradualmente aumentar quer a sua área quer o seu volume.

Estuário e biodiversidade

Aos estuários chegam os nutrientes e a matéria orgânica que os rios transportam. Por isso os ecossistemas estuarinos são dos mais produtivos do Planeta. Foi para aproveitar essa produtividade, nomeadamente a grande riqueza em peixe (sável, lampreia, enguia, etc.) e em bivalves (berbigão, por exemplo) que desde tempos imemoriais o homem se fixou junto aos estuários. Os estuários têm ainda, uma função importantíssima na manutenção dos recursos piscícolas, já que funcionam como verdadeiras “maternidades”. É nos estuários, que muitos peixes desovam e se desenvolvem nas primeiras fases de vida, antes de se aventurarem nas águas mais profundas e agitadas do oceano. A  pesca costeira depende em grande parte dos estuários, rias e lagoas do litoral. O estuário está no encontro de dois ecossistemas diferentes: um de água doce (o rio) e outro de água salgada, o ecossistema marinho. Sujeito à influência das marés, as águas do estuário vão variando o seu grau de salinidade e a sua profundidade. Os aluviões que o rio arrasta sedimentam em grande quantidade nas águas calmas do estuário, formando bancos de areia que cobrem e descobrem com as marés. Uma formação típica dos estuários são os sapais, formações aluvionares periodicamente alagadas pela água salgada e ocupadas por vegetação halofítica, como o da Baía de São Paio.

A criação da Reserva Natural Local do Estuário do Douro, teve como objetivo de proteger aves e a paisagem local. A reserva serve de refúgio a aves migradoras, como a garça-real e o corvo-marinho, de nidificação a limícolas, como o peneireiro. A reserva desempenha também um papel de maternidade para espécies piscícolas de importância comercial, como a solha e enguia, ou ambiental, como os góbios, integrando ainda um sapal, populações de bivalves e diversa vegetação dunar.

As areias intertidais absorvem o excesso de nutrientes oriundos de montante, funcionando como estações de depuração da água estuarina, retendo também os lodos com metais pesados e outros poluentes. A reserva A Reserva Natural Local do Estuário do Douro pode ser classificada como um ecossistema de rara diversidade, tendo em maio de 2012 passado a integrar a Rede Nacional de Áreas Protegidas. Os limites da reserva são coincidentes com os limites da Baía de São Paio, abrangendo parte da restinga.

Glossário

Cartas náuticas – inicialmente em papel agora digitais, registam de forma precisa a localização dos perigos e das ajudas à navegação, permitindo definir de acordo com o calado as melhores rotas para uma navegação segura. No entanto, é fundamental relacionar demais condicionantes, como sejam, os fatores atmosféricos (ex.: vento), o estado do mar (ex.: correntes, agitação marítima), as variações da maré (ex.: restrições calado em navegação de canais estreitos, no acesso aos portos, realização de manobras, o cálculo da carga dos navios e da velocidade de navegação dos navios), as oscilações registadas pelos sensores de movimento do navio (velocidade de navegação, alterações do regime das máquinas dos motores, as oscilações na linha de água, inclinação horizontal e vertical).

Estuário –  corpo de água costeiro semi-fechado que se estende até ao limite efetivo da influência da maré, em que no seu interior penetra água salgada proveniente de uma ou mais conexões livres com o mar aberto, ou outro qualquer corpo de água salino costeiro, sendo significativamente diluído pela água doce proveniente da drenagem continental e, consegue sustentar espécies biológicas eurihalinas durante todo ou parte do seu ciclo de vida.

Hidrografia é a ciência que estuda e descreve as características físicas dos corpos de água, inclui, nomeadamente, a batimetria, a forma e as características da linha de costa, as características de marés, correntes e ondas, e as propriedades físicas e químicas da própria coluna de água, bem como a sua evolução e a previsão das suas alterações ao longo do tempo.

Referências

Veloso-Gomes, F., S. Sena (2003). Zonas inundáveis pelo rio Douro na área de intervenção do programa Polis em Vila Nova de Gaia. Relatório técnico, Instituto de Hidráulica e Recursos Hídricos – IHRH, 53.

Veloso-Gomes, F., F. Taveira-Pinto, G.M. Paredes (2009). Estudo da evolução da fisiografia da restinga do Rio Douro desde 2002. Quartas Jornadas de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente, FEUP, 10.

Veloso-Gomes, F. (2010). Contributos para o Plano de Ordenamento do Estuário do Douro. Quintas Jornadas de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente, FEUP, 7. Vieira, M., A. Bordalo (2000). The Douro estuary (Portugal): a mesotidal salt wedge. Oceanologica Acta, 23(5), 585-594.

 

 

Estuário do Lima e as Ínsuas

O rio Lima nasce no monte Talariño, a uma altitude de 975 metros, na Serra de São Mamede, na província de Ourense em Espanha. Entra em Portugal nas proximidades de Lindoso e desagua em Viana do Castelo, apresentando uma extensão total de cerca de 108 km, dos quais 67 km em território português.

Rio Lima ideal

A bacia do rio Lima apresenta uma forma alongada e é limitada a norte pela bacia hidrográfica do rio Minho, a leste pela do rio Douro e a sul pelas bacias dos rios Cávado e Âncora. Tem uma superfície de aproximadamente 2450 km2 . A altitude média da bacia é de 447 m, sendo a Serra da Peneda e a Serra Amarela os setores mais elevados, respetivamente com 1416 m e 1361 m. O clima da região deste rio resulta da sua posição geográfica e proximidade do Atlântico e é caracterizado como sendo do tipo marítimo.

Os estuários são, vulgarmente, reconhecidos como áreas de transição, onde a água doce se mistura com a água salgada. São, igualmente, conhecidos pela sua grande importância biológica, devido às condições que oferecem relativamente ao abrigo e/ou proteção da ação das ondas, pela sua alta produtividade, como local de refugio à ação dos predadores e como local de maternidade para inúmeras espécies. Do ponto de vista geológico, os estuários são estruturas temporárias das zonas costeiras, porque a sua existência está sujeita à subida e descida do nível do mar ou a fenómenos de subsidência de origem tectónica.

Ínsuas

No estuário, o rio fica mais largo e com uma inclinação muito reduzida, propiciando a formação de depósitos sedimentares tanto no leito como nas suas margens. Assim, formam-se ínsuas e margens muito extensas, que rapidamente são dominadas por vegetação herbácea, criando uma série de praias fluviais até à zona de Viana do Castelo. Devido a estas características, as zonas de leito de cheia do rio são zonas com uma cota muito próxima das margens e com uma grande extensão que, na ocorrência de grandes vazões, são facilmente inundadas, chegando a aumentar em duas vezes a largura do rio, Foto 1.

Lima 2

Foto 1 – São visíveis, ao longo do canal, pequenas ínsuasbarras fluviais longitudinais relacionadas com o degelo da última glaciação – e zonas húmidas com vegetação herbácea típica de sapal, pelo que se trata de um local com significativo valor ecológico. Observam-se, ainda, as diversas superfícies de aplanamento, algumas das quais relacionadas com a fraturação alpina.

No que diz respeito à zona da foz em Viana do Castelo, esta varia de 800 m, perto da ponte Eiffel, até 300 m, entre o porto antigo e o novo. Existe esta variação de larguras devido à presença do porto marítimo de maiores dimensões para conseguir dar resposta a maiores embarcações. Assim, o porto passou da margem norte para a margem sul, estreitando ainda mais o rio. Consequentemente, e com a necessidade de garantir a entrada e saída das embarcações, existem duas obras marítimas de grandes dimensões que protegem a entrada da foz das fortes ondulações provenientes do mar. Neste percurso o canal do rio é estreito e possui uma profundidade média de 10 m, havendo uma sistemática remoção de inertes por parte do porto de Viana do Castelo para manter as condições de navegabilidade do canal.

Glossário 

Estuário –  corpo de água costeiro semi-fechado que se estende até ao limite efetivo da influência da maré, em que no seu interior penetra água salgada proveniente de uma ou mais conexões livres com o mar aberto, ou outro qualquer corpo de água salino costeiro, sendo significativamente diluído pela água doce proveniente da drenagem continental e, consegue sustentar espécies biológicas eurihalinas durante todo ou parte do seu ciclo de vida.

Referências:

https://www.researchgate.net/publication/316649965_Analise_hidrodinamica_do_estuario_do_rio_Lima_Portugal_a_partir_de_simulacao_numerica

Teoria Cromossómica da Hereditariedade

A teoria cromossómica da hereditariedade de Morgan é um marco na história da genética. Constituiu uma visão global e coerente que permitiu explicar a hereditariedade às escalas macro e microscópica, ao mesmo tempo que realizou uma síntese perfeita entre genética mendeliana e biologia celular. Mas é também uma solução datada que não resistiu à constatação de que um gene pode actuar sobre vários caracteres e um carácter pode ser influenciado por diversos genes. O modelo simplista da hereditariedade morganiana – um gene-um carácter – não tinha, pois, em conta, a complexidade das relações entre genótipo e fenótipo.

Thomas Morgan, inicialmente muito cético em relação ao modelo mendeliano, decidiu estudar as alterações bruscas de caracteres (mutações) observadas pelo investigador holandês De Vries, escolhendo como material de trabalho a Drosophila melanogaster, conhecida por “mosca do vinagre”. Este pequeno inseto, que se desenvolvia facilmente em pequenos frascos de vidro, apresentava algumas vantagens importantes. O seu ciclo de reprodução muito curto permitia um estudo rápido dos caracteres herdados ao longo de várias gerações e, os cromossomas gigantes presentes nas suas glândulas salivares, com faixas claras alternando com faixas mais escuras, tornavam fácil a observação ao microscópio e abriam possibilidades ao desenho de uma carta genética.

Em 1910, Morgan observou pela primeira vez a presença de um macho que tinha olhos brancos, em vez dos habituais olhos vermelhos. Aplicando então os métodos que tinham sido utilizados por Mendel, verificou que, na primeira geração resultante do cruzamento entre esse macho e uma fêmea normal, todas as moscas tinham olhos vermelhos. Contudo, na segunda geração, todas as fêmeas apresentavam olhos vermelhos enquanto que, em metade dos machos, os olhos eram brancos. Foi o estudo destas populações que lhe permitiu concluir a existência de um carácter recessivo situado no cromossoma sexual. Estava assim encontrada a primeira localização cromossómica para um fator hereditário mendeliano. Entusiasmado com as possibilidades oferecidas por este material de estudo, Morgan em breve detetou outras mutações. A transmissão não independente de algumas delas permitiu-lhe admitir a existência de linkage de vários genes que se exprimiam em conjunto. E, ao constatar o aparecimento no mesmo macho de dois caracteres recessivos resultantes de mutações (olhos brancos e asas rudimentares), ambos localizados no cromossoma X, foi levado a admitir a hipótese de crossing-over, ou seja, de troca de material genético entre os cromossomas do mesmo par.

Os estudos de um dos seus colaboradores, Alfred Sturtevant, sugeriram que, quanto mais afastados estivessem os genes no mesmo cromossoma, maior seria a probabilidade de se separarem numa geração posterior pelo mecanismo de crossing-over. A partir desta observação foi possível desenvolver um vasto trabalho que permitiu definir a distribuição linear de alguns genes ao longo dos quatro pares de cromossomas da drosófila. Surgia assim o esboço da primeira carta genética, em que cada gene correspondia a um locus. Ao fim de duas décadas, Sturtevant tinha concretizado um monumental trabalho cartográfico em que se encontravam referenciados mais de 2500 genes.

Investigadores do i3S explicam erro celular associado à formação do cancro

Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) conseguiu desvendar um dos mecanismos que as células usam para garantir a correta distribuição dos seus cromossomas durante a divisão celular e, dessa forma, evitar anomalias genéticas e tumores.

Foi através de testes laboratoriais em “mosquinhas da fruta” que os investigadores perceberam que, se a proteína “não viajar” dentro da célula, isto é, não se libertar da membrana nuclear, “os cromossomas são distribuídos de forma desigual pelas células filhas”.

Ler artigo aqui:

Investigação do i3S explica erro celular associado à formação do cancro

 

 

 

As ervilheiras de Mendel

É fácil perceber que existem semelhanças entre os indivíduos de uma determinada espécie e que essas semelhanças tendem a aumentar à medida que os indivíduos têm mais afinidade parental. da que os indivíduos têm mais afinidade parental. Ressalta à vista que a descendência de determinados progenitores, ainda que apresente diversidade entre si e em relação aos seus progenitores, apresenta também aspectos comuns. Os indivíduos de uma espécie partilham características e possuem semelhanças entre si.

Milho

Biodiversidade do milho (planta nativa das Américas) na Galeria da Biodiversidade ( Instalada na Casa Andresen, no Jardim Botânico do Porto). 

Mas de que forma se transmite à descendência a informação para essas características? Em que local reside esta informação? Por que razão existem caracteres que parecem desaparecer numa dada geração e reaparecem em gerações futuras? Quem mecanismos e leis regem a transmissão dos caracteres hereditários?

A Genética é a ciência que se ocupa da identificação dos fatores hereditários responsáveis pelas características de um indivíduo, bem como da forma como se transmitem de geração em geração.Esta ciência é  considerada  fundamental para  o  desenvolvimento da  biotecnologia, e ocupa  lugar de destaque  nas pesquisas biológicas atuais, impulsionando  setores  como  agricultura,  medicina,  ecologia e pecuária.

De um modo geral, quando se menciona o nome do austríaco Gregor Mendel (1822-1884), ele é imediatamente associado à Genética e às “leis de Mendel”. Na maior parte das vezes, as informações sobre suas contribuições que chegam até nós são as que constam na parte histórica que aparece em alguns livros-texto de Biologia destinados aos diferentes níveis de ensino. Porém, poucas pessoas tiveram a oportunidade de examinar o artigo original de Mendel (1866) ou tomar conhecimento do que ocorreu depois.

Mendel não escolheu o material experimental de modo aleatório. Ele procurava plantas cujo cultivo fosse fácil e que pudessem se desenvolver em um curto período de tempo, o que se aplicava às ervilhas. Baseou-se também em outros critérios. Em primeiro lugar, as características que diferenciassem as ervilhas deviam ser constantes, ou seja, as linhagens deviam ser puras, sem variabilidade significativa.

O trabalho de Mendel inseria-se numa linha de pesquisa bastante ativa em sua época e,  além dessa pesquisa,  introduziu novos elementos em relação às propostas de seus contemporâneos e antecessores.  Tais inovações incluem,  dentre  outros aspetos,  a metodologia que envolve Matemática e Estatística resultantes de uma formação diferente da maioria dos naturalistas de sua época,  bem como noções sobre a divisão celular.

Powerpoint – Embora nome de Johann Gregor Mendel (1822-1884) seja associado geralmente à Genética e às “Leis de Mendel”, poucas pessoas tiveram a oportunidade de conhecer o conteúdo de seu artigo original sobre os padrões de herança nas ervilhas do género Pisum, publicado em 1866.

Foi William Bateson (1901), quem se dedicou ao teste dos padrões encontrados por Mendel nas ervilhas,  tanto em animais como plantas,  procurando também explicar os desvios e exceções.

Além disso,  propôs a  terminologia  “alelo”,  “homozigótico”,  “heterozigótico”  e a notação  “F1”, “F2”,  empregada para se referir às diversas gerações.  Bateson empregou inicialmente os termos “caracteres unitários”, “fatores”  e mais tarde  “gene”.  O conceito  gene só foi definido no final da década de 1900 por Johannsen que  também introduziu os conceitos de “genótipo”  e “fenótipo”. Até então utilizava-se o termo  “caracteres” para se referir tanto ao material contido no núcleo dos gametas como  às características externas visíveis.

A  relação entre os estudos citológicos e os princípios de Mendel e a vinculação dos caracteres  hereditários  aos  cromossomas  ocorreu no início da década de 1900,  com a chamada “hipótese cromossómica de Sutton e Boveri” .

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