Teoria Cromossómica da Hereditariedade

A teoria cromossómica da hereditariedade de Morgan é um marco na história da genética. Constituiu uma visão global e coerente que permitiu explicar a hereditariedade às escalas macro e microscópica, ao mesmo tempo que realizou uma síntese perfeita entre genética mendeliana e biologia celular. Mas é também uma solução datada que não resistiu à constatação de que um gene pode actuar sobre vários caracteres e um carácter pode ser influenciado por diversos genes. O modelo simplista da hereditariedade morganiana – um gene-um carácter – não tinha, pois, em conta, a complexidade das relações entre genótipo e fenótipo.

Thomas Morgan, inicialmente muito cético em relação ao modelo mendeliano, decidiu estudar as alterações bruscas de caracteres (mutações) observadas pelo investigador holandês De Vries, escolhendo como material de trabalho a Drosophila melanogaster, conhecida por “mosca do vinagre”. Este pequeno inseto, que se desenvolvia facilmente em pequenos frascos de vidro, apresentava algumas vantagens importantes. O seu ciclo de reprodução muito curto permitia um estudo rápido dos caracteres herdados ao longo de várias gerações e, os cromossomas gigantes presentes nas suas glândulas salivares, com faixas claras alternando com faixas mais escuras, tornavam fácil a observação ao microscópio e abriam possibilidades ao desenho de uma carta genética.

Em 1910, Morgan observou pela primeira vez a presença de um macho que tinha olhos brancos, em vez dos habituais olhos vermelhos. Aplicando então os métodos que tinham sido utilizados por Mendel, verificou que, na primeira geração resultante do cruzamento entre esse macho e uma fêmea normal, todas as moscas tinham olhos vermelhos. Contudo, na segunda geração, todas as fêmeas apresentavam olhos vermelhos enquanto que, em metade dos machos, os olhos eram brancos. Foi o estudo destas populações que lhe permitiu concluir a existência de um carácter recessivo situado no cromossoma sexual. Estava assim encontrada a primeira localização cromossómica para um fator hereditário mendeliano. Entusiasmado com as possibilidades oferecidas por este material de estudo, Morgan em breve detetou outras mutações. A transmissão não independente de algumas delas permitiu-lhe admitir a existência de linkage de vários genes que se exprimiam em conjunto. E, ao constatar o aparecimento no mesmo macho de dois caracteres recessivos resultantes de mutações (olhos brancos e asas rudimentares), ambos localizados no cromossoma X, foi levado a admitir a hipótese de crossing-over, ou seja, de troca de material genético entre os cromossomas do mesmo par.

Os estudos de um dos seus colaboradores, Alfred Sturtevant, sugeriram que, quanto mais afastados estivessem os genes no mesmo cromossoma, maior seria a probabilidade de se separarem numa geração posterior pelo mecanismo de crossing-over. A partir desta observação foi possível desenvolver um vasto trabalho que permitiu definir a distribuição linear de alguns genes ao longo dos quatro pares de cromossomas da drosófila. Surgia assim o esboço da primeira carta genética, em que cada gene correspondia a um locus. Ao fim de duas décadas, Sturtevant tinha concretizado um monumental trabalho cartográfico em que se encontravam referenciados mais de 2500 genes.

Investigadores do i3S explicam erro celular associado à formação do cancro

Uma equipa de investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) conseguiu desvendar um dos mecanismos que as células usam para garantir a correta distribuição dos seus cromossomas durante a divisão celular e, dessa forma, evitar anomalias genéticas e tumores.

Foi através de testes laboratoriais em “mosquinhas da fruta” que os investigadores perceberam que, se a proteína “não viajar” dentro da célula, isto é, não se libertar da membrana nuclear, “os cromossomas são distribuídos de forma desigual pelas células filhas”.

Ler artigo aqui:

Investigação do i3S explica erro celular associado à formação do cancro

 

 

 

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