Sistema ABO

Em situações de emergência médica, quando um paciente necessita de efetuar transfusões sanguíneas, administra-se o tipo sanguíneo dador universal (O), uma vez que atualmente não existe nenhum equipamento comercial capaz de determinar o tipo sanguíneo do paciente no local de emergência, de uma forma rápida e fiável. Este procedimento leva frequentemente à rutura de stock deste grupo sanguíneo.

Constituição do Sangue 

O sangue é um composto existente em todos os seres humanos, é um tecido líquido capaz de combater hemorragias, infeções e transportar o oxigénio e os nutrientes às células do organismo.

O sangue é constituído por uma parte líquida, denominado plasma sanguíneo e por elementos celulares sólidos designados por plaquetas, glóbulos vermelhos e glóbulos brancos. O plasma sanguíneo, composto maioritariamente por água (cerca de 92%), é constituído por sais minerais e vários tipos de proteínas. A sua função resume-se ao transporte dos açúcares, proteínas e gorduras ao resto do corpo. As plaquetas são células de reduzidas dimensões e (aproximadamente 0.003mm), encarregues de sarar as feridas que possam existir nos vasos sanguíneos. Os glóbulos vermelhos, também denominados hemácias ou eritrócitos, são as células existentes em maior quantidade no sangue (cerca de 45% do sangue). Conhecidas também como células vermelhas, são células simples, sem núcleo e com a forma de um disco achatado. Têm a função de transportar o oxigénio e retirar dióxido de carbono das células. No seu interior existe um pigmento denominado hemoglobina, que é responsável pela coloração do sangue. Por fim, os glóbulos brancos ou leucócitos são células com núcleo, maiores do que os glóbulos vermelhos e podem-se distinguir cinco variedades: neutrófilos, eosinófilos, basófilos, linfócitos e monócitos. Estas células têm a função essencial de defender o organismo contra elementos desconhecidos, por exemplo vírus, bactérias ou fungos.

Sistema ABO

O sistema ABO é assim denominado devido a Landsteiner ter conseguido descobrir que existiam apenas dois antigénios, A e B nos eritrócitos ou glóbulos vermelhos. Assim resolveu designar os grupos sanguíneos consoante a presença ou ausência desses antigénios nos glóbulos vermelhos. Designou-se que um indivíduo possui o tipo sanguíneo A quando os seus glóbulos vermelhos possuem apenas antigénios do tipo A e por sua vez, um indivíduo que possua o tipo sanguíneo B, tem apenas antigénios B nos glóbulos vermelhos. Por sua vez, um indivíduo que tenha antigénios A e B simultaneamente nos seus eritrócitos possui tipo sanguíneo AB. Por fim, não tendo nenhum dos antigénios nos eritrócitos, possui o tipo sanguíneo O.

Também o plasma sanguíneo difere entre as pessoas, dependendo do seu grupo sanguíneo. Este contém anticorpos que podem reagir com os antigénios existentes nos grupos sanguíneos respetivos, onde os glóbulos vermelhos se aglomeram formando camadas mais espessas visíveis a olho nu, dando-se o fenómeno de aglutinação.

Aos anticorpos do plasma sanguíneo, capazes de aglutinar com a substância A ou B existente nos glóbulos vermelhos de indivíduos que possuem o tipo sanguíneo A ou B, chamam-se anti-B ou anti-A, respetivamente. Assim, o tipo sanguíneo AB, não tem qualquer anticorpo existente no seu plasma sanguíneo (uma vez que ambos estão presentes nos seus eritrócitos) e contrariamente a este, o tipo sanguíneo O, tem os dois anticorpos.

Fator Rhesus

Landsteiner, 40 anos depois de descobrir que os tipos sanguíneos diferiam entre si, descobriu também que o sangue humano continha um outro antigénio designado por Rhesus (devido ao facto de, nas suas experiências utilizar um macaco de uma raça assim designada), Figura 1.

Grupos sanguíneos 4

Figura 1 – Entende-se por transfusão sanguínea a doação por parte de uma pessoa de uma porção de sangue a outra que por razões de saúde sofreu uma perda significativa do mesmo. Deste modo, para efetuar uma transfusão sanguínea é necessário efetuar previamente a determinação do grupo sanguíneo do paciente, para que, os antigénios existentes nas suas hemácias não aglutinem com os anticorpos existentes no plasma sanguíneo.

Assim, os portadores deste antigénio Rh, designam-se por Rh+ , não possuem no seu plasma sanguíneo anticorpos que aglutinem com este antigénio. Por conseguinte, não  possuindo este antigénio nos seus eritrócitos, são denominados por Rh e produzem anticorpos anti-Rh, quando entram em contato com portadores de Rh.

Assim, para se efetuar uma transfusão sanguínea, é necessário efetuar a determinação deste fator no sangue do doador e do recetor. Pois, se no caso do recetor tiver ausência do fator Rh (Rh- ) e o doador Rh+ , mesmo tendo o sistema ABO compatível, a transfusão sanguínea não pode ser realizada, sendo possível apenas quando o doador não possui o fator Rh.

Referência:

D.Silva V.Moreira, “Determinação do Tipo Sanguíneo”, Universidade do Minho,
Guimarães, Relatório Final de Projeto II, 2010.

 

 

 

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