Arribas e os movimentos de massa

Uma arriba (Cliff) não é mais do que um talude natural com forte declive, que sofre erosão, por vezes intensa no sopé por ação direta da ondulação, e por processos subaéreos, Foto 1.

SPMoel - deslizamento

Foto 1 – Movimento de massa na Praia da Polveira (São Pedro de Moel) Em São Pedro de Moel   a Formação de Água de Madeiros do Jurássico Inferior (Sinemuriano)  está organizada em dois membros: Membro de Polvoeira na base e Membro da Praia da Pedra Lisa no topo. Esta Formação possui 42 m e é constituído por alternâncias de margas e calcários margosos, geralmente de cor cinzenta, com níveis ricos em matéria orgânica. Em termos macrofaunísticos, comporta essencialmente bivalves e braquiópodes na porção inferior que dão lugar, superiormente, a amonóides e belemnites. Estas unidades do Jurássico Inferior em S. Pedro de Moel encontram-se fortemente marcadas pela tectónica diapírica (diapiro de S. Pedro de Moel), dispostas numa estrutura em sinclinal.

As arribas, apesar de em alguns casos apresentarem configuração aparentemente imutável à escala de observação de alguns anos, sofrem evolução contínua das faces expostas aos agentes de erosão marinha.

Assim, a instabilidade dos sistemas litorais de arriba resulta da atuação de diversos processos, que dependem de inúmeros fatores de natureza geológica, morfológica, climática e hidrológica. Em grande parte das litologias e dos contextos climáticos, o aumento do declive proporcionado pela erosão basal propicia a ocorrência de movimentos de massa de vertente, onde o centro de gravidade do material afetado progride para jusante e para o exterior da arriba.

Os movimentos de massa em arribas subverticais são normalmente instantâneos e dificilmente previsíveis, podendo envolver a mobilização de milhares de metros cúbicos de material, podendo provocar danos irreversíveis quer para as ocupações no topo das arribas, quer para os utentes das eventuais praias suportadas pelas arribas. São assim, geradores de situações de risco podendo interferir significativamente com a ocupação humana no litoral, pondo em causa a segurança de pessoas e bens.

A erosão marinha é a principal responsável pelo retrocesso dos litorais rochosos e empreendedora da evolução destes sistemas costeiros. As ondas são o agente erosivo mais importante ao longo da maioria das costas, mas os seus efeitos e eficácia variam de acordo com as suas características, a morfologia costeira e as características das rochas.

A forte erosão marinha está relacionada com a ocorrência de temporais, em particular durante o Inverno, através do sapamento da base da arriba, pela ondulação incidente (aumento da pressão provocada pelo choque e consequente descompressão resultante da sucção provocada pelas correntes de refluxo) e alguma metralhagem na face da arriba.

Glossário

Balançamento/tombamento (“topple”) –  consiste num movimento de queda-livre com a rotação de um bloco em torno de um eixo fixo durante o movimento, ou rotação de uma massa de solo ou rocha, a partir de um ponto ou eixo situado abaixo do centro de gravidade da massa afetada. O movimento ocorre por influência da gravidade e pela ação de forcas laterais, exercidas quer por unidades adjacentes, quer por fluidos presentes em diáclases e fracturas.

Deslizamento (“slide”) – é o cisalhamento sobre uma superfície de deslizamento distinto, e a massa de deslizamento apresenta um movimento em bloco; movimento de solo ou rocha que ocorrem dominantemente ao longo de planos de rutura ou de zonas relativamente estreitas, alvo de intensa deformação tangencial. Os deslizamentos podem ser subdivididos em deslizamento planar e deslizamento rotacional. O primeiro tem uma superfície de deslizamento quase linear, ao passo que o último é de plano circular

Escoada (“flow”) é um movimento com velocidade crescente em direção à parte superior de um corpo em movimento, as escoadas ocorrem em algumas costas compostas por materiais argilosos pouco resistentes originando fluxos de lama (“mudflows”).

Movimentos de massa em costas rochosas – dividem-se em 4 tipos: desabamentos/queda de blocos (“falls”), balançamentos/tombamentos (“topples”), deslizamentos (“slides”) e escoadas/fluxos (“flows”). Estes tipos de movimentos dependem principalmente dos fatores estruturais e litológicos do material que forma a rocha, tais como a estrutura geológica, características estratigráficas e propriedades geotécnicas ou resistência da rocha.

Queda de blocos (“fall”)  – corresponde a movimento de massa que viaja através do ar como um corpo em queda livre, ou deslocação de solo ou rocha a partir de um abrupto, ao longo de uma superfície onde os movimentos tangenciais são nulos ou reduzidos. Podem ser subdivididos em desabamento rochoso, desabamento de detritos, desabamento de terra, de acordo com o tipo de material na arriba antes do movimento.Trata-se de um movimento de massa brusco, caracterizado pela elevada velocidade que pode atingir, em relação à queda livre que ocorre pelo menos em parte da deslocação.

Referências: 

Neves, M. (2004) Evolução atual dos litorais rochosos da Estremadura Norte. Estudo
de Geomorfologia. Dissertação de Doutoramento. Faculdade de Letras da
Universidade de Lisboa, Lisboa. 574 p.

Sunamura, T. (1992) Geomorphology of rocky coasts. John Wiley & Sons, Chichester,
302 p.

 

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