Scala Naturae

Até ao final do século XVIII considerava-se que as “espécies naturais” eram imutáveis desde a criação, e que se podiam ordenar numa escala de perfeição crescente desde os minerais até ao Homem ( e acima deles, os anjos), numa Grande Cadeia de Seres (ou Scala Naturae).

Cão

Galeria da Biodiversidade (Porto) – Um espaço onde a arte se cruza com a biologia e a história natural, estimulando uma panóplia de experiências sensoriais, propositada e cuidadosamente concebidas para celebrar a diversidade da vida, a Galeria da Biodiversidade é o primeiro espaço museológico do mundo criado de raiz segundo a filosofia da museologia total. (https://mhnc.up.pt/galeria-da-biodiversidade/)

Carl Von Linne ou Lineu (1707-1778), ao criar o sistema binominal de nomenclatura científica que ainda é utilizado,  mostrou que a ideia de uma cadeia única não estava de acordo com os factos. Dá-se o nome de nomenclatura ao conjunto de regras utilizadas na designação dos taxa (níveis taxonómicos). Algumas das regras de nomenclatura atualmente utilizadas foram inicialmente propostas por Lineu. Uma das mais importantes é a nomenclatura binominal, que acabou por substituir complicadas designações polinominais na designação da espécie. Cada espécie passou a ser designada por dois termos, por exemplo, Canis lupus (lobo), assumindo cada um deles um significado definido. O primeiro indica o nome do género (Canis) a que a espécie pertence, devendo ser iniciado por maiúscula. Este nome pode ser usado isoladamente para designar o género. O segundo- restritivo ou epíteto específico – complementará sempre o primeiro, de forma a identificar determinada espécie dentro desse género, devendo ser integralmente escrito em minúsculas. O nome da espécie, habitualmente impresso em itálico, deverá ser sublinhado quando manuscrito. A designação do género e da espécie, bem como de outras categorias taxonómicas, é, por convenção, expressa em latim, o que garante a estabilidade e a universalidade desta nomenclatura.

O nome do autor e a data da classificação poderão estar associados ao nome da espécie, daí resultando uma classificação mais completa. Neste caso, o nome do classificador pode ser escrito por extenso ou, se abreviado (Gadus morhua Linn.), imediatamente a seguir à designação da espécie sem interposição de qualquer sinal ortográfico, escrevendo-se a data após uma vírgula.

 

É a Lineu que se deve um dos primeiros sistemas de classificação com um grau de estruturação assinalável. Estes sistemas apesar de terem evoluído e de se terem diversificado mantêm parte da hierarquização proposta por Lineu. Nestes, os grupos hieraquicamente relacionados, categorias taxonómicas, níveis taxonómicos ou taxa (plural de taxon), tornam evidente o grau de semelhança entre eles.

A categoria mais restrita, entendida como unidade biológica de classificação e agrupamento natural, com menor capacidade de inclusão, mas mais uniforme, é a espécie. O reino é a categoria mais abrangente ou com maior amplitude, sendo por isso mais heterogénea. Entre estes dois extremos consideram-se o género, a família, a ordem, a classe e o filo (divisão nas plantas), sendo que um género agrupa espécies semelhantes, uma família géneros semelhantes, etc. Assim, ao longo desta hierarquia (da espécie para o reino) vai aumentando o grau de parentesco entre eles.

A possibilidade desta classificação hierárquica, em que conjuntos de organismos são obviamente mais semelhantes entre si do que outros conjuntos, não suporta a ideia da Scala Naturae.

No tempo de Darwin, a classificação lineana era aceite, mas não tinha explicação.

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