Selaginela

O sucesso das plantas na exploração de ambientes terrestres ocorreu por mudanças graduais de estrutura, verificando-se mesmo que o aumento da complexidade e, consequentemente, de diversidade abre novas perspetivas de adaptação às condições do meio.

Cabo Mondego (2020)A-43

Selaginela (Selaginella denticulata)

Reino das Plantas e Evolução

Possivelmente há mais de 400 M.a. um ancestral das plantas evoluiu do ambiente aquático para o ambiente terrestre, Figura 1.

Galeria da Biodiversidade (Porto) - Evolução das Plantas

Figura 1 – A primeira fase da evolução das plantas relaciona-se com a sua origem no Paleozoico a partir de ancestrais aquáticos, provavelmente algas verdes multicelulares. De acordo com os estádios de evolução verificados a nível da estrutura, nesta primeira fase pode considerar-se a emergência de dois grupos distintos de plantas:  grupo pouco diferenciado que não apresentam, em regra, tecidos condutores para a circulação da água e outras substâncias (ancestrais das Briófitas atuais) e um grupo de plantas vasculares que apresentam tecidos condutores e uma maior diferenciação morfológica. Numa segunda fase, surgiram as plantas vasculares com sementes e ainda mais tarde, numa terceira fase, apareceram as plantas com flor.

A invasão da terra pelas plantas, no decurso da evolução, só pode ter ocorrido com a aquisição de características capazes de permitir a vida de organismos em novas condições ambientais.

Em ambiente terrestre a secura do ar constitui para as plantas uma condição limitante. A passagem ao meio terrestre foi acompanhada pelo desenvolvimento de estruturas importantes no que respeita ao controlo das perdas de água por evaporação e das trocas gasosas com a atmosfera. A diferenciação de tecidos especializados no transporte (vasculares) foi de enorme importância na evolução das plantas terrestres, relacionando-se com o aparecimento e o sucesso de plantas de grande porte.

Plantas Vasculares sem semente

As plantas vasculares sem semente reproduzem-se e dispersam-se por esporos. Compreendem os fetos e outras plantas com elas relacionadas designadas em inglês por fern allies. São tradicionalmente designadas por plantas “criptogâmicas” (do grego Kriptos – escondida + gamos – união), mas pel facto de já possuírem tecidos vasculares (xilema e floema), são designadas por criptogâmicas vasculares. Estas plantas, das quais se conhecem os primeiros registos fósseis do Silúrico (Cooksonia), foram parte predominante da vegetação da Terra durante milhões de anos, constituindo grandes florestas que cobriam a Terra no Carbonífero.

O Phyllum Lycophyta (Licófitas) inclui o género Selaginella (Foto1)

Cabo Mondego (2020)A-43

Foto 1 – Na Selaginella a parte vegetativa é constituída por um caule ramificado que cresce junto ao solo (caule prostado). As folhas são pequenas e inserem-se alternadamente, aos pares, ao longo do caule. De pequenos prolongamentos do caule, alongados para o solo, nascem raízes.

O Phyllum Lycophyta (Licófitas) inclui o género Selaginella, e é representativo de uma linha evolutiva pertencente ao Devónico. Embora todos os representantes atuais sejam plantas de pequeno porte, no Carbonífero dominaram grandes árvores, algumas com engrossamento secundário, caso do Lepidodendron. Todas as licofitas fósseis e atuais possuem microfilos. Também o aparecimento de verdadeiras raízes contrasta com os musgos (Filo Briófita), possibilitando às plantas deste filo para além de um ancoramento mais sólido e uma absorção mais eficiente.

É nesta planta, de pequenas dimensões, que se vão formar esporos, dentro de esporângios que se diferenciam em ramos particulares  –  os estróbilos – os quais se mantêm erectos. Na Selaginella, a diferenciação estrutural entre micrósporos e macrósporos está relacionada com a atividade próprias de cada um deles (planta heterospórica). Quando comparada com os fetos, na Selaginella ocorre uma maior diferenciação do gametófito, já que existem separadamente os gametófitos femininos e masculinos, o que resulta da existência de dois tipos de esporos, Figura 2.

Selaginella

A importância da heterosporia no desenvolvimento destas plantas reside na maior proteção do gametófito feminino e do embrião, dispondo este, também, de abundantes reservas alimentares, até que a jovem planta esteja em condições de produzir o seu próprio alimento.    Os esporângios nascem na axila de microfilos férteis designados por esporofilos. Em muitas das plantas deste filo há ramos férteis onde os esporofilos se agrupam constituindo os estróbilos.

Na Selaginela a heterosporia tem um significado especial nas plantas terrestres porque é uma condição necessária para o aparecimento da semente. Das plantas vasculares existentes pensa-se que a Selaginella, por razões ainda pouco compreendidas, terá sido das primeiras a exibir heterosporia, facto que poderá ter sido o “pontapé de saída” para a formação da semente, que nesta planta já tem alguma expressão.

Ciclos de Vida

Parte I

Parte II

 

 

 

 

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