Praia da Consolação e os recifes de coral

A Bacia Lusitaniana, localizada na margem ocidental da Península Ibérica formou-se no decurso da abertura do oceano Atlântico Norte. As litologias presentes resultaram de episódios de rifting alternados com períodos de estabilidade tectónica e consequentes variações de subsidência.

Localizada no litoral a sul de Peniche, a povoação de Praia da Consolação é um dos locais que apresenta condições de excelência para a observação de afloramentos da sucessão quase contínua para o Jurássico da referida bacia formada no início do Mesozoico.

Nas arribas costeiras desta praia as litologias da  Formação de Alcobaça afloram, representadas por uma unidade denominada de “grés, margas e calcários dolomíticos da Consolação” que abarca todo o período compreendido entre o final do Oxfordiano ao final do Kimeridgiano (Jurássico Superior), Foto 1.

Foto 1 – Nos níveis mais margosos ocorrem corais coloniais, gastrópodes, bivalves, ostraídeos, entre outos. Na base observa-se uma lumachela que terá servido de substrato para a implantação de corpos recifais, por sua vez cobertos por novo nível argiloso.

As lumachelas são rochas carbonatadas bioacumuladas essencialmente formadas por conchas de moluscos. No geral são formadas por conchas de moluscos (com predominância de bivalves), inteiras ou fraturadas e pouco cimentadas. O ambiente de deposição corresponde a águas pouco profundas próprias de ambientes neríticos. O nome tem origem italiana (lumachella).

Os recifes são proeminências ou não, de intensa atividade biológica e de grande resistência mecânica às vagas. Para a sua formação contribuem entre outros, os coraliários. Estas estruturas ocorrem em ambientes de águas pouco profundas (ambiente nerítico), responsável pela grande maioria de rochas carbonatadas.

Os corais da atualidade vivem como formas solitárias ou coloniais, geralmente formando simbioses com algas. Muitas espécies secretam um exoesqueleto (esqueleto externo) rígido de carbonato de cálcio. Cada geração de pólipos forma-se sobre os restos dos esqueletos da geração anterior, construindo “rochas” com formas características de suas espécies. Esses esqueletos são o que geralmente chamamos de coral. Os recifes de coral são para os mares tropicais o que as florestas pluviais são para as áreas terrestres tropicais: elas proporcionam habitat para muitas outras espécies.

A sucessão com níveis lumachélicos indica a existência de um ambiente lagunar que, devido à gradual subida do nível do mar, foi sendo ocupado por fauna resistente à salinidade salobra e com a continuação da subida permitiu o desenvolvimento de corais biohérmicos, em condições de salinidade e oxigenação normais. Nova descida promoveu o acarreio de argilas, as quais tornaram inviável a proliferação desses organismos.

Bibliografia consultada

Galopim, C., (2006). Geologia Sedimentar, Volume III – Rochas Sedimentares. Âncora Editora .

Conglomerado de Vale da Rasca

A margem continental portuguesa é consequência da rotura de dois blocos continentais, ligados no passado num bloco continental bem maior, a que se tem dado o nome de Laurásia. Esta bacia distensiva, a Bacia Lusitaniana, desenvolveu-se, desenvolveu-se durante o Mesozoico encontrando-se dividida em três setores com base em estudos de litoestratigrafia do Jurássico Inferior.

Situada na região de Setúbal esta cadeia corresponde à extremidade sul da Bacia Lusitaniana, representando a estrutura mais interessante e uma das mais importantes da tectónica da inversão de idade Miocénica registada na Bacia Lusitaniana, Foto 1.

Mapa

Foto 1 –

Conglomerado de Vale da Rasca

Esta unidade aflorante e todo o Vale da Rasca é constituído por níveis detríticos silicaclásticos, constituindo os mais grosseiros, conglomeráticos, o núcleo de pequenos relevos alinhados de acordo com a estratificação, Foto 2.

Cadeia da Arrábida - Conglomerado de Vale da Rasca (Rio) esquema A

Foto 2 – No princípio da continuidade lateral, originalmente identificado por Nicolau Steno, assume-se, teoricamente, que uma camada progride lateralmente no espaço. Mas essa progressão lateral não é, na prática muito prolongada. São diversas as formas geométricas, observadas no campo, que demonstram a variação lateral de uma camada: gradação lateral, interdigitação, em cunha. Os limites em cunha representam uma diminuição gradual da espessura lateral da camada até ao seu desaparecimento. Tal ocorrência é habitual na proximidade dos bordos de uma bacia de sedimentação, ou em linhas de água identificadas estratigraficamente em camadas lenticulares.

Os conglomerados  de Vale da Rasca são níveis que testemunham impulsos tectónicos distensivos integrados no terceiro episódio de rifting (Kimeridgiano- Berrisiano Inferior) que afetou a Bacia Lusitaniana no Jurássico superior. Existe uma variação da espessura com a diminuição de Este para Oeste, desaparecendo próximo de Sesimbra, Diaporama 1.

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Diaporama 1 – Unidades de agilas, grés e conglomerados e calcários de Vale da Rasca. Estas rochas detríticas datadas do Kimeridgiano-Titoniano formaram-se numa altura em que houve sedimentação continental acentuada para leste de Sesimbra.

A geometria interna destes corpos sedimentares revelam fácies de natureza fluvial de caracter torrencial, associados a um sistema de leques aluviais dependentes do relevo que existiria a leste da bacia, a falha de Setúbal – Pinhal Novo para o hinterland da Bacia Lusitaniana.

Fontes:

Click to access tesem_leonorramalho.pdf

Click to access Bacia_Lusitaniana%20%28VIICNG%29.pdf

Click to access Kullberg_etal_2000_Arrabida.pdf

 

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